Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Empresa participante do Mulheres Inovadoras da Finep/MCTI 2020 recebe investimentos do programa Google for Startups
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IbenchAndreia e Débora - sócias-fundadoras da iBench

Débora tem 31 anos, é biomédica e está concluindo na Alemanha pós-doutorado em Gestão da Inovação. Andreia tem 42, é também biomédica, bioquímica e tem pós-doc igual, com passagem pelos EUA. Mas a formação não é o único denominador comum entre elas.  Em 2018, fundaram a startup iBench, conhecida como a ‘Amazon da Ciência’ — um market place de produtos e serviços para laboratórios — e em 2020 participaram, com louvor, do Programa de Aceleração Mulheres Inovadoras da Finep – 1ª edição.  Um ano depois, na fase de acompanhamento do desempenho da empresa após a conclusão do Programa, a equipe do DEIS – Departamento de Empreendorismo e Investimento em Startups da Finep tem novo motivo para comemorar.   A iBench foi uma das 12 startups, selecionadas pela Google, num universo de mais de 600 inscritas, para receber aportes por meio do Black Founders Fund, iniciativa do Google for Startups, que apoia, com recursos equity free, empreendedores negros na área de tecnologia.  A iBench é, dentre as selecionadas, uma das sete comandadas por mulheres negras, fundadoras ou c-level, ou seja, que atuam como CEO ou outros cargos de alto escalão executivo em suas empresas.

A dupla já tinha na bagagem outros programas de aceleração, mas aponta ganhos específicos na participação no Programa Mulheres Inovadoras da Finep. “O fato de o programa ser coordenado por uma agência de fomento é um diferencial, porque nos permitiu conhecer de perto a regulação de uma agência desse tipo. Ganhamos uma visão mais macro do Sistema de Inovação, o que é fundamental para nós, além de possibilitar construirmos conexões na nossa área de atuação”, destaca Débora Moretti, diretora de Pontes e Criatividade da iBench.

O resultado desse aprendizado pode ser comprovado um ano depois. Em 2021, Andreia Oliveira, diretora de Primeiras Impressões da iBench, voltou a participar do Mulheres Inovadoras Finep, mas desta vez como convidada para colaborar na mentoria de uma das das empresas participantes.  Além disso, toda a experiência adquirida através do processo de aceleração produziu uma mudança de layout e do próprio logo da empresa. “Percebemos que tínhamos falhas estruturais em termos de mercado, na maneira como nos apresentávamos, em como a iBench era vista pelo nosso público-alvo. Ajeitamos a casa e fizemos então um investimento importante em tecnologia”, conta Débora. 

Crise = Oportunidade

A ideia de criar a iBench surgiu da experiência de Débora e Andreia como cientistas de bancada. Pesquisadoras e ex-alunas da UFRJ, ambas sentiram na pele a falta de uma estrutura de logística nas universidades, para otimizar o trabalho dos pesquisadores.  Andreia vinha de uma passagem por uma universidade americana onde existia toda uma organização para apoiar os cientistas na aquisição de insumos enquanto aqui, segundo Débora, um pesquisador gasta, em média, 50h/mês com a burocracia necessária para adquirir os materiais e insumos de que necessita. Perguntas como ‘por que preciso gastar horas do meu tempo fazendo coisas que não são ciência?’ ou ‘preciso realmente esperar três meses para meu reagente chegar?’, começaram a instigar as duas cientistas a buscar uma solução para ter processos mais simples e rápidos.  O incômodo gerou ação e o resultado foi a iBench.

A empresa oferece soluções digitais para facilitar a vida dos pesquisadores brasileiros. A primeira é o iBench Market, portal que reúne mais de 170 mil produtos e dezenas de fornecedores, tornando mais simples e eficiente o processo de compra e a própria preparação da prestação de contas. Além disso, a empresa oferece um serviço de gestão de compras em que o pesquisador ou técnico de laboratório apenas informa o que quer. Toda a busca por fornecedores, a negociação de preço e o acompanhamento da entrega ficam por conta da iBench. Mas a dupla tem planos mais ousados para o futuro próximo. O projeto é digitalizar toda a jornada do cientista, desde o caderno de protocolo até a prestação de contas dos projetos, para que os pesquisadores possam se dedicar exclusivamente ao que fazem de melhor – ciência.

O Programa Mulheres Inovadoras é uma iniciativa da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) com apoio do Founder Institute, da Rede Mulher Empreendedora e da Oria Capital. Seu objetivo é estimular startups lideradas por mulheres, de forma a contribuir para o aumento da representatividade feminina no cenário empreendedor nacional, por meio da capacitação e do reconhecimento de empreendimentos que possam favorecer o incremento da competitividade brasileira.

Para a Finep/MCTI, o sucesso da iBench é um sinalizador de que o objetivo do Mulheres Inovadoras está sendo alcançado e se desdobrando em iniciativas. Débora destaca a importância de o grupo de 12 empresas selecionado pelo Google for Startups ser formado por pessoas negras. Segundo ela, normalmente, esse tipo de seleção se dá em função do produto ou serviço oferecido pela empresa (maquiagem,  moda, ou serviços financeiros voltados para pessoas pretas, por exemplo).  “Ali, eram empresas de diversos setores, algumas bem maiores que nós em termos de mercado, mas todos estavam ali pelo propósito de impactar a comunidade preta. Então formou-se um laço muito interessante”, finaliza.

Débora tem 31 anos e é medalha de ouro em natação em águas abertas. Andreia tem 42 e é uma artista da produção de festas infantis. Brasileiras, plurais, inovadoras, anunciam no site de sua empresa o objetivo de ‘promover a ciência brasileira, garantindo sua qualidade e participação no desenvolvimento socioeconômico do Brasil’.  E esse é, entre elas e a Finep, certamente, um denominador comum.