Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Finep se une a investidores anjo para investir em startups
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 Finep Startup

A Finep anuncia às 17h30 desta terça-feira, 20/10, em Cuiabá, Mato Grosso, o Finep Startup, que visa aportar conhecimento e recursos financeiros via participação no capital de empresas inovadoras de base tecnológica, em estágio inicial, com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões. Essa é a primeira ação dentro de um conjunto de iniciativas voltadas a empresas nascentes que a Finep pretende lançar nos próximos anos, ampliando ainda mais o apoio que a financiadora tem dado às startups através dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs).

Uma das novidades é que o investimento vai se dar por meio de contrato de opção de compra de ações e pode chegar a R$ 1 milhão, baseado no plano de negócios da startup. Esse tipo de contrato transforma a investidora, no caso a Finep, em uma potencial acionista da empresa. A opção de a Finep se tornar ou não sócia da startup terá prazo total de vencimento de até três anos, podendo ser prorrogado por mais dois. Se a empresa for bem sucedida, a Finep pode exercer essa opção, se a empresa fracassar, a Finep não arca com o passivo, o que garante maior segurança. O anúncio será feito durante a 25ª Conferência Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores).

Empresas de base tecnológica nesse estágio possuem grande dificuldade para financiar seu desenvolvimento, principalmente em função da ausência de garantias e geração de caixa. É comum ver empresas que tiveram apoio inicial em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) acabarem com o projeto na gaveta por falta de recursos. O principal objetivo do Finep Startup é justamente alavancar empresas que estejam em fase final de desenvolvimento do produto, para colocar no mercado, ou que precisem ganhar escala de produção. Hoje existe um espaço a ser ocupado entre o primeiro investimento que uma empresa recebe, dos chamados investidores anjo, em uma fase inicial, e aquele feito por meio dos FIPs – que se dividem em três tipos de fundos, dependendo do desenvolvimento da empresa: Seed Capital; Venture Capital; e Private Equity. “Ainda não existia instrumento adequado para esse momento da startup”, frisa o presidente da Finep, Luis Fernandes.

Ao priorizar esse tipo de investimento, pretende-se otimizar os recursos aplicados, diminuindo o risco e aumentando a possibilidade de retorno para a sociedade. Essa iniciativa não pretende competir com os fundos, ao contrário. Deseja levar as empresas a um estágio onde o acesso a esses canais se torne viável. Para a presidente da Anprotec, Francilene Garcia, o Finep Startup representa uma importante alternativa para criar condições de crescimento para essas empresas. "Essa ação preenche uma lacuna. Sem esse apoio, as startups acabam sem condições de crescer no momento oportuno e, ao mesmo tempo, não se tornam atrativas a outros tipos de investimento, o que pode fadar o negócio ao fracasso", destaca.

O primeiro edital do Finep Startup será lançado em novembro. A previsão é lançar mais um edital em 2016 e dois em 2017. Cada edital terá valor de R$ 20 milhões, totalizando R$ 80 milhões. A expectativa é que o apoio seja concentrado nas tecnologias e setores prioritários da Política Operacional da Finep, como tecnologias da informação e comunicação (TIC), complexo da saúde, defesa, energia, aeroespacial, tecnologias assistivas, biotecnologia, nanotecnologia e novos materiais. A empresa que se enquadrar nos critérios do edital, porém, pode participar da seleção independente da área de atuação. Quem for selecionado poderá receber um novo aporte de até R$ 1 milhão, conforme a evolução do plano de negócios. Os fundos tradicionais investem em média de 10 a 15 empresas em quatro anos. Com o Finep Startup, a Finep pretende investir em 40 empresas até 2016.

Parceira com investidores anjo
O Finep Startup terá um mecanismo inovador para estimular o empreendedor a buscar investimento privado, que priorizará empresas que forem aportadas por investidores anjo. O processo funcionará da seguinte forma: a startup que se inscrever no edital com uma carta de compromisso de um investidor anjo – que também investirá na empresa por meio de contrato de opção – ganhará pontos na seleção feita pela Finep. A quantidade de pontos obtidos dependerá do valor do investimento privado, que pode ir de R$ 50 mil a R$ 350 mil. Além do anjo, o processo de seletivo do edital levará em consideração três dimensões: inovação e tecnologia; mercado e modelo de negócios; e equipe. De acordo com Luis Fernandes, as caraterísticas do edital foram definidas baseadas na relação de longa data que a financiadora mantém com os investidores. O contrato de opção para ambas as partes, diz ele, é o grande diferencial da chamada, pois diminui os riscos para um investidor de menor porte como o anjo. “Esse é um novo modelo de apoio no qual a Finep coloca recursos públicos na startup e ao mesmo tempo alavanca o investimento privado na empresa”, afirma.

O investidor anjo que se comprometer a investir na empresa selecionada pelo edital receberá parte do retorno da Finep, com o objetivo de provocar o engajamento do investidor privado com o sucesso da empresa. Esse percentual será proporcional à participação do anjo na rodada de investimento. Para fomentar essa parceria entre as empresas e os investidores privados, a Finep firmará um acordo com a Anprotec e com a Anjos do Brasil, entidade de fomento ao investimento anjo que apoia o empreendedorismo de inovação. Nesse acordo estão previstas ações como workshops e road shows por todo o País com empresas e investidores para promover a integração entre eles e facilitar possíveis parcerias. Em uma fase mais avançada do processo seletivo, uma banca avaliadora formada por Finep, Anjos do Brasil e Anprotec vai selecionar as startups que serão investidas.

Além da alavancagem de recursos, a atração de investidores privados é fundamental para o sucesso do empreendimento, à medida que estes também agregam conhecimento ao negócio. As startups não necessitam somente de recursos financeiros, mas também de auxílio em questões extremamente relevantes para o futuro do negócio, como governança e gestão. Esse é o principal o objetivo dessa interação com as redes de anjo.