Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Finep/MCTI assina convênio com a Universidade de Caxias do Sul para apoio a projeto de desenvolvimento de curativos a partir do grafeno
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 grafenolancamentoMinistro do MCTI, Marcos Pontes, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, assistiram à assinatura de convênio entre Finep e UCS. Na foto, ainda, Waldemar Barroso, presidente da Finep, e Evaldo Kuiava, reitor da UCS.

 

A Finep vai destinar cerca de R$ 1,8 milhão em recursos não reembolsáveis do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para apoio a projeto da Universidade de Caxias do Sul – UCS, que tem por objetivo utilizar o grafeno na criação de curativos com atividade antimicrobiana, anti-inflamatória e anti-oxidante, para aplicação em afecções cutâneas e odontológicas.

O presidente da Finep, Waldemar Barroso, e o reitor da UCS, Evaldo Antonio Kuiava, assinaram, hoje, convênio entre as instituições, na abertura da 1ª Feira Brasileira do Grafeno, no campus da universidade - com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), astronauta Marcos Pontes.

O projeto, intitulado “Desenvolvimento de nanocompósitos poliméricos contendo grafeno funcionalizado para aplicação em tratamento cutâneo e medicina regenerativa” foi selecionado no âmbito da Chamada Pública Finep/MCTI Materiais Avançados e Minerais Estratégicos, destinada a apoiar novas metas ambiciosas e desafiadoras em programas ou projetos de P,D&I em Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) brasileiras.

O desenvolvimento de produtos que atendam a funções específicas dos organismos humanos e animais sem resultar em incompatibilidades com os tecidos biológicos é um dos maiores desafios da área de biomateriais. E o grafeno, devido às suas propriedades (leveza, maleabilidade, condutibilidade térmica e elétrica, dentre outras) tem sido amplamente estudado na engenharia de tecidos e medicina regenerativa, aplicado como substrato, revestimento, enchimento de compósitos, aditivo ou modificador de propriedades, além de outras aplicações. Nos curativos, o grafeno e seus derivados irão otimizar as propriedades anti-inflamatória, antimicroiana e anti-oxidante, sem gerar incompatibilidade mecânica com tecidos vivos.

A equipe da UCS prioriza, nas pesquisas, o uso de compostos naturais brasileiros ou deles derivados, de forma a potencializar o uso e a manutenção da nossa biodiversidade. Os curativos poderão ser destinados a uso geral ou específico em tratamentos dermatológicos e rotina ou clínicos, bem como em odontológicos.

Mais leve e mais forte do mundo

O grafeno é uma das formas alotrópicas do carbono, assim como o diamante, o carvão e o grafite (do qual é derivado), caracterizando-se pela organização hexagonal dos átomos. Trocando em miúdos, ele tem a capacidade de se apresentar sob formas diferentes. Foi isolado pela primeira vez em 2004, na Inglaterra, pelos cientistas Andre K. Geim e Konstantin S. Novoselov, em uma pesquisa que ganhou o Prêmio Nobel de Física.

Tem elevada transparência, é leve, maleável, resistente ao impacto e à flexão, ótimo condutor térmico e elétrico, em meio a inúmeras vantagens mais. Ganhou fama e é, hoje, considerado o material mais leve e forte do mundo, 200 vezes mais resistente do que o aço, superando mesmo o nobre diamante. Uma folha de grafeno de 1m² pesa 0,0077 gramas, mas, pasmem, é capaz de suportar até 4 quilos.

É também o material mais fino que existe — tem a espessura de um átomo ou 1 milhão de vezes menor que um fio de cabelo. Sua elevadíssima condutividade elétrica se deve ao fato de os elétrons se moverem em seu interior sem, praticamente, nenhuma resistência e, aparentemente, sem massa.

As propriedades mecânicas, elétricas, térmicas, ópticas do grafeno superam materiais convencionais em diversas aplicações. Além disso, tais qualidades podem ser combinadas em um único material, componente ou sistema.

Assim, diante desse crème de la crème dos materiais, as aplicações são promissoras tanto para o aperfeiçoamento de tecnologias existentes, quanto para a criação daquelas disruptivas.

(Com informações da Universidade de Caxias do Sul)