Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Segundo dia do Seminário Estratégico Finep - veja detalhes
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André Godoy, diretor da Finep - ao microfone -, foi o mediador do painel 4 do 2º dia do seminário.
Com os convidados Francisco Gaetani (Fundação Getúlio Vargas) - ao centro -, e Claudio Chauke (Gartner)

"A Modernização e a Transformação Digital na Gestão Pública" foi o tema de abertura do segundo dia do Seminário Estratégico Finep 2020-2030, que aconteceu no auditório do Edifício Ventura, sede da Finep. Com mediação do diretor administrativo da companhia, André Godoy, a mesa teve como palestrantes o professor da Fundação Getúlio Vargas, Francisco Gaetani, e o diretor da Gartner, Claudio Chauke.

Ao dar início ao debate, Gaetani apontou alguns gargalos que precisam ser contornados para que o setor público se renove. E defendeu a incorporação imediata de conceitos, práticas e valores, dentre eles, integridade, produtividade, coletividade, sustentabilidade e competitividade. Na opinião do professor, o funcionalismo público precisa internalizar o chip do controle, trabalhar com critérios de eficiência e dialogar mais com o mundo. "Embora não estejam percebendo, os governos também estão expostos a um nível de competição global", disse.

"De um lado estão as grandes corporações, como Amazon, Google e Apple, que representam o que há de mais avançado em internet das coisas e inteligência artificial, com PIBs maiores que alguns países. Por outro, estão os governos, que não geram riqueza, com custos insustentáveis, alta carga tributária e baixa produtividade, praticamente um mundo à parte" complementou.

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Francisco Gaetani (Fundação Getúlio Vargas)

Gaetani ressaltou ainda que todas as profissões do futuro serão intensivas em tecnologia e no mundo digital. "O cotidiano das organizações está mudando, há um tsunami em curso e precisamos pensar não só em requalificação digital, mas em formas de acomodar uma massa de trabalhadores que não está preparada para mudança desta magnitude. "Alguns setores do governo, que deverá assumir o papel de coordenador deste processo de transição, ainda trabalham baseados em modelos do século XIX", criticou.

Para o professor, as maiores barreiras para a requalificação ainda são a falta de uma cultura empreendedora, a baixa compreensão da nossa identidade e de visão de negócio e a pouca oferta de infraestrutura e provedores. "Para trilhar o caminho da transformação digital, o país precisa vencer alguns desafios, dentre eles, o da regulação para tratamento de dados", disse. E acrescentou: a Lei de Inovação, criada em 2004 e regulamentada um ano depois, também precisa deslanchar e será necessária uma maior aproximação do governo com o setor privado".

Para Claudio Chauke, nos últimos dois anos, o Brasil duplicou as iniciativas na área digital. "No entanto, ainda estamos distantes de entender o conceito de transformação digital, que não é tecnologia, embora envolva isso também". Segundo o executivo, é preciso em primeiro lugar definir a estratégia, construir o modelo de negócio para só então empregar as soluções digitais, ou seja, as tecnologias. "O problema é que ainda não aprendemos a fazer a estratégia", ressaltou. Segundo Chauke, 70% das organizações governamentais brasileiras estão buscando ser mais digitais, mas apenas 5% conseguem alguma coisa.

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Claudio Chauke (Gartner)

Na esfera governamental, Chauke defende que as soluções digitais sejam sempre utilizadas a serviço da sociedade e, preferencialmente, por meio de plataformas. Mas para isso o governo precisa ter acesso a dados, o que, segundo o executivo, não é simples em se tratando de órgãos governamentais.

O último painel do seminário – "A organização institucional e a estrutura do setor financeiro para a agenda de C, T&I" - foi moderado pelo diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, Adriano Lattarulo. O painel contou com os debatedores convidados Marcelo Gomes Meirelles (diretor do Departamento de Estruturas de Custeio e Financiamento de Projetos do MCTIC); Marco Antonio Lima, secretário-executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE); e Robert Binder, conselheiro da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

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Adriano Lattarulo, diretor da Finep (ao microfone), com os debatedores
Marcelo Gomes Meirelles (MCTIC), 
Marco Antonio Lima (ABDE) e Robert Binder (ABVCAP)


Meirelles falou do processo de reestruturação pelo qual o MCTIC tem passado, com foco numa maior integração de todas as instituições ligadas ao ministério, além da busca de "mais maturidade gerencial e definição de programas prioritários", explicou. Segundo o secretário, "a Finep ocupa grande parte da agenda do MCTIC nessa transição, já que é uma das definidoras de políticas públicas em C,T&I". Meirelles também falou da busca de alternativas para a captação de recursos, como Private Equity, Capital Semente, dentre outros.

"A ideia é podermos trabalhar com recursos combinados. A recente aprovação dos Fundos Patrimoniais (os fundos 'endowment") já começa a virar realidade, com apoio da Finep", afirmou. Saiba mais sobre os fundos 'endowment' aqui.

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Marcelo Gomes Meirelles (MCTIC)

O representante da ABDE, Marco Lima, apresentou as principais ações a que a associação tem se dedicado, especialmente, diante das mudanças recentes na economia global e do país. Para Lima, é essencial que haja um planejamento estratégico que inclua a discussão das tendências e incertezas da atualidade.

"Há questões cruciais que precisam ser pensadas, desde a tendência global de crescimento menor ao papel central da sustentabilidade. Localmente, temos que lidar com as mudanças nas taxas de juros - que estão muito mais baixas - e como isso afetará operações, inclusive as da Finep. Taxas Selic, TJLP e TLP tendem para redução, o que leva a todos a repensar seus modelos de financiamento", disse. Lima também afirmou que é urgente se criarem "novas fontes de recursos para fomentar C,T&I, atraindo mercados de capitais nacional e internacional".

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Marco Lima (ABDE)

Em sua fala, o conselheiro da ABVCAP Robert Binder lembrou a importância da Finep para a criação da associação e do próprio Venture Capital no Brasil, vinte anos atrás. "Não existiria a ABVCAP sem a Finep", afirmou. Binder disse que, apesar de termos um mercado de capitais maduro hoje em dia, é preciso "sair de certa estagnação e arriscar mais. É hora de os fundos de pensão, por exemplo, investirem com força parte de seus recursos no mercado, como acontece nos EUA", disse.

"Há dinheiro e há boas gestão e governança no setor de mercado de capitais. Somos uma das maiores economias do mundo e temos, urgentemente, que melhorar a posição em que o Banco Mundial nos coloca em 'fazer negócios', que é a 130ª. Somos melhores do que isso", finalizou.


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Robert Binder (ABVCAP)


O diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, Adriano Lattarulo finalizou o debate do painel dizendo que "as discussões aqui apresentadas adicionam muito a nossa estratégia atual na empresa. Seguimos trabalhando para melhorar nossos resultados e sermos mais eficientes". Segundo o diretor, "a empresa está encarando grandes desafios, como a redução da taxa Selic, reduzindo custo e revendo todos os processos, para encarar uma nova era, onde será mais ágil", finalizou.

O presidente da Finep, General Waldemar Barroso, encerrando os dois dias de seminário, afirmou que o evento "nos trouxe muita inspiração para os ajudar a construir nosso planejamento de longo prazo. Agradeço a todos, em especial à colaboração do MCTIC, que organizou o conteúdo conosco. Temos certeza de que a convergência de forças e o trabalho colaborativo farão nosso trabalho melhor".

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General Waldemar Barroso, presidente da Finep

Veja aqui como foi o primeiro dia do seminário. 

 

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