
Patrocinadora do evento Brasil na Mesa, que marcou os 53 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Finep anunciou na quinta (23/4) financiamento de quase R$ 15 milhões para viabilizar a entrada da instituição no Tratado de Budapeste, iniciativa que a permitirá ser reconhecida como Autoridade Depositária Internacional (IDA) de microrganismos. A celebração de aniversário ocorreu em Brasília com a presença do presidente Lula, ministros e outras autoridades.
O investimento, realizado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), financiará a modernização da infraestrutura da Embrapa para armazenamento, catalogação e conservação de microrganismos de interesse da alimentação e da agricultura. O objetivo é adequar o país às exigências do Tratado de Budapeste e posicionar o Brasil como referência para depósito de material biológico na América Latina e no Caribe.
O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, destaca que a iniciativa amplia a autonomia nacional na proteção de inovações tecnológicas e fortalece a soberania científica do país. “Este investimento da Finep possibilitará a criação de um sistema de conservação de recursos genéticos ampliado e fortalecido. Haverá redução de custos e de tempo para o depósito de material biológico, além de facilitar processos de proteção industrial, registro de bioinsumos e publicações científicas”, afirma. Segundo Elias, a medida consolida o Brasil como polo regional: “Com isso, o país se tornará referência como depósito de material biológico na América do Sul e no Caribe”.
Durante a cerimônia, o presidente Lula ressaltou que a expansão da presença do Brasil nos mercados internacionais depende do investimento contínuo em ciência, tecnologia e inovação. “Para ganhar mercado, é preciso produzir com excelência de qualidade”, afirmou. Segundo ele, diversificar a produção e agregar tecnologia é essencial para ampliar a escala, gerar empregos e melhorar a renda. “Quanto mais sofisticado a gente for, mais mercados vamos disputar e ganhar”, disse.
Lula contextualizou a fala com a entrada em vigor, em maio, do acordo entre Mercosul e União Europeia, que abre acesso a um mercado de cerca de 750 milhões de pessoas. “Quanto mais sofisticado for o produto que a gente produzir, mais dinheiro o país ganha, mais qualificada será a mão de obra e melhores serão os salários”, afirmou.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, definiu a Feira Brasil na Mesa como um espaço de valorização da produção de alimentos conectada à ciência, à inovação, à agricultura familiar, ao cooperativismo e ao desenvolvimento sustentável. Ela ressaltou o retorno econômico dos investimentos públicos em pesquisa agropecuária. Estudos indicam que, ao longo dos últimos anos, cada R$ 1 investido na Embrapa retornou até R$ 27 para a sociedade brasileira. Em 2025, a contribuição da instituição foi estimada em R$ 125 bilhões do PIB agrícola, cerca de 17% do total do setor.
Massruhá destacou que o projeto financiado pela Finep permitirá à Embrapa modernizar seu banco genético e adotar procedimentos alinhados aos padrões internacionais exigidos pelo Tratado de Budapeste. Atualmente, a instituição mantém um dos maiores bancos genéticos do mundo, com conservação de sementes, tecidos, sêmen, embriões, DNA e microrganismos, por meio de técnicas como câmaras frias, criopreservação, bancos in vitro e conservação in situ. A certificação como IDA eleva esse patamar ao garantir rastreabilidade, procedência e reconhecimento internacional dos materiais depositados.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou que o agro responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, 38 milhões de empregos e quase metade das exportações do país. Segundo ele, a transformação do Brasil em potência agroalimentar está diretamente ligada à atuação da Embrapa. “Antes da Embrapa, o Brasil importava alimentos. Hoje, somos protagonistas no agro mundial”, afirmou. “A cada oito pratos de comida no mundo, um tem a contribuição do Brasil.”
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que as novas tecnologias devem alcançar também a agricultura familiar. Ele lembrou que, no âmbito da Nova Indústria Brasil, a agroindústria é a primeira missão estratégica, com foco na agregação de valor e na tecnificação da produção. “A meta era tecnificar 43% da agricultura familiar, e já chegamos a 47%”, disse.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, enfatizou a importância da diversidade produtiva para a qualidade da alimentação e destacou os investimentos federais na agricultura familiar, especialmente na produção de alimentos in natura e minimamente processados.
Alinhada à Missão 1 da Nova Indústria Brasil, a atuação da Finep no setor agroindustrial ganhou escala nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, a financiadora investiu R$ 8 bilhões em 640 projetos da cadeia agroindustrial, envolvendo instituições científicas, empresas, cooperativas e produtores. As iniciativas buscam promover a modernização tecnológica do campo, a inclusão produtiva e a segurança alimentar, garantindo que a inovação chegue a toda a cadeia e a todas as regiões do país.
De acordo com a avaliação do presidente da Finep sobre o evento, Lula “reforçou uma agenda tão importante e crucial para o crescimento do Brasil, que é a agenda de ciência, tecnologia e inovação, com uma centralidade importante para que possamos, com Políticas de Estado, dar resultado para sociedade brasileira”. Elias apontou para a centralidade da questão do mercado e da segurança alimentar, e destacou a importância de “olhar o território brasileiro e suas assimetrias".






