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:: Instituição
A Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC) foi criada em 18 de
dezembro de 1960 e conta com 47 departamentos.
Especificamente, o Centro Tecnológico (CTC)
congrega 10 departamentos, incluindo o de
Engenharia Sanitária e Ambiental (ENS), criado em
1986 com a missão de desenvolver atividades de
ensino, pesquisa e extensão, para buscar respostas
para os problemas ambientais e contribuir com o
desenvolvimento sustentável. Para tanto, dispõe de
uma equipe de 21 professores, seis pesquisadores
associados, quatro servidores e quatro técnicos
laboratoristas, responsáveis pelos cursos de
graduação (400 alunos) e pós-graduação (mestrado
e doutorado, com 120 alunos). Em 1995, foi criado
o Laboratório de Pesquisas em Resíduos Sólidos
(Lareso), cujo objetivo principal é desenvolver
atividades de ensino, pesquisa e extensão na área
de valorização e eliminação de resíduos sólidos de
origem urbana, industrial e agrícola. |
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Resumo do Projeto
O projeto tem como objetivo estudar processos combinados
para tratamento de lixiviado de aterro sanitário, compreendendo tratamento
físico-químico preliminar (coagulação-floculação), tratamento biológico
e etapa de polimento. A elaboração do sistema visa à otimização do desempenho
das unidades de tratamento quanto à remoção da matéria orgânica e
inorgânica, especificamente a DQO, focando principalmente à remoção biológica
da amônia via nitrificação, para reduzir os riscos ambientais de volatilização
da amônia. A adição de uma unidade filtrante para polimento do efluente
final complementa o processo, buscando a produção de um efluente final que
atenda às normas ambientais de lançamento de despejos. A metodologia consiste
em um sistema, em escala-piloto, para tratamento de lixiviados, contendo
unidade de tratamento primário (tanque de coagulação-floculação), tratamento
biológico (série de três lagoas) e polimento do efluente final através de filtro de
pedras, conforme apresentado na figura 1.
São três as etapas do sistema de tratamento: (i) tratamento físico-químico;
(ii) lagoas de estabilização e (iii) filtro de pedras.
(i) O lixiviado de aterro sanitário contém grande quantidade de matéria orgânica
biodegradável, mas também matérias pouco biodegradáveis, como osácidos húmicos, metais pesados, compostos orgânicos voláteis e sais inorgânicos.
Devido à presença de sólidos suspensos em concentrações elevadas, há
uma tendência de emprego do tratamento físico–químico como etapa primária
do tratamento do lixiviado, antecedendo os processos biológicos e tendo ainda
como objetivo produzir um efluente com melhor biodegradabilidade. Inicialmente
são realizados ensaios em bancada, utilizando-se equipamento Jar Test,
com coagulantes variados, para confirmar os melhores resultados obtidos no Edital Prosab 4, onde foram alcançadas remoções de 38%
de DQO, 50% de COT e 28% de fósforo total. Em função dos
resultados obtidos, são efetuados ensaios na escala-piloto
em batelada, utilizando-se um tanque de polietileno de 1.000
litros, com suporte para agitador e bomba dosadora de açocarbono
(figura 2).

Figura 1 - Fluxograma do tratamento proposto

Figura 2 - Tanque-piloto físico-químico
(ii) As lagoas de estabilização são a forma mais simples
de tratamento de efluentes, utilizando-se diversas variantes
dessas unidades com diferentes níveis de simplicidade operacional
e requisitos de área, tendo como principal objetivo a
remoção de matéria carbonácea (figura 3). Suas vantagens
em relação a outros tipos de tratamento têm sido destacadas
como: alta remoção da carga orgânica, redução de coliformes
fecais, além dos custos operacionais e de manutenção mínimos.
Após a etapa de tratamento físico-químico, o lixiviado é
Figura 2 Tanque-piloto físico-químico
direcionado a três lagoas em série. Na figura 4, é apresentado
o piloto utilizado para os ensaios de tratabilidade do lixiviado.
(iii) O efluente das lagoas de estabilização apresenta elevada
concentração de sólidos em suspensão, necessitando, portanto,
de um polimento antes de sua descarga no corpo hídrico
receptor. No caso estudado, o polimento final se dá através
do filtro de pedras, que consiste de leitos porosos de pedras
submersos, nos quais os sólidos em suspensão sedimentam,à medida que a água flui através do leito. As características do
filtro de pedras são: 3 m x 0,5 m x 0,5 m (comprimento x largura
x profundidade); volume: 0,75 m3; área: 1,5 m2 e tempo
de retenção hidráulica (TRH): 3,75 dias.

Figura 3 - Ensaios hidráulicos preliminares nos pilotos

Figura 4 - Ensaios de degradabilidade do lixiviado
O monitoramento é realizado para o efluente bruto e tratado
em todas as unidades do sistema. Em freqüência pré-estabelecida
e específica para cada parâmetro, são analisados: pH,
temperatura, oxigênio dissolvido, potencial redox, condutividade,
DBO5, DQO, carbono orgânico total, cor, turbidez, transparência,
fósforo total, amônia, nitrito, nitrato, fosfato, sulfato,
cloreto, acetato, série de sólidos, clorofila, identificação do fitoplâncton
e do zooplâncton, identificação de bactérias, coliformes
totais e fecais, metais (Zn, Cr, Cd, Al, Fe, Mn, Cu, Ni e Ca),
compostos orgânicos e ensaios ecotoxicológicos.
Espera-se, com este estudo, desenvolver e otimizar processos
convencionais para o tratamento de lixiviados, além
de comprovar o desenvolvimento de metodologias de análises
e a determinação de parâmetros de monitoramento para um
sistema de tratamento de lixiviados. Pretende-se, ainda, fornecer
uma contribuição efetiva para a minimização de impactos
ambientais derivados da inadequada gestão dos efluentes de
aterros sanitários, visando à proteção dos mananciais de águas
superficiais e subterrâneas. Por fim, espera-se alcançar resultados
significativos, a ponto de estes servirem para o dimensionamento
de lagoas de estabilização em escala real e também
espera-se dar uma contribuição técnica, de caráter inédito, para
o tratamento primário de lixiviados gerados em aterros sanitários,
assim como um sistema de polimento desses efluentes. |