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Resumo do Projeto
Os efluentes de sistemas de lagoas de estabilização
apresentam dificuldades para atender as exigências estabelecidas pela Resolução
357/2005 do Conama sobre o lançamento em corpos d´água naturais.
Por outro lado, esses efluentes apresentam potencialidades para a fertirrigação
de culturas, contribuindo com água e nutrientes.
O objetivo geral da pesquisa é avaliar a viabilidade e a sustentabilidade do
uso de efluente de lagoa facultativa na irrigação de culturas, incluindo necessidades
de pós-tratamento visando ao lançamento em corpos d’água naturais.
O projeto é subdividido em dois subprojetos:
SUBPROJETO 1 - Remoção de notrogênio amoniacal de efluente de lagoa facultativa
O objetivo deste subprojeto é avaliar a remoção de nitrogênio amoniacal do
efluente da lagoa facultativa em lagoa complementar e em sistema de filtros biológicos
aeróbios. O esgoto, à entrada e à saída das lagoas de estabilização, será
monitorado ao longo de 24 meses, realizando-se coletas semanais de amostras
simples e coletas mensais de amostras compostas. São determinados os seguintes
constituintes: temperatura, pH, alcalinidade, condutividade elétrica, sólidos,
DBO, DQO, NKT, nitrogênio amoniacal, nitrito, nitrato, fósforo total, ortofosfatos,
potássio, sódio, clorofila a, coliformes totais, E. coli e ovos de helmintos.

Figura 1 - Lagoas de estabilização
em escala-piloto

Figura 2 - Filtro biológico aeróbio em escala-piloto
O efluente da lagoa facultativa alimenta por gravidade as
duas lagoas terciárias-piloto, uma com profundidade útil de
0,5 m e outra com 1,0 m (figura 1). Cada lagoa cumpre quatro
etapas com tempos de detenção diferentes. Cada etapa
tem a duração de seis meses. As lagoas são providas de chicanas
longitudinais. Os parâmetros de controle usados são:
temperatura, pH, OD, NKT, N-AMON, nitrito, nitrato, DBO, DQO,
alcalinidade, sólidos, clorofila a, E. coli e ovos de helmintos.
O objetivo principal será equacionar a remoção de nitrogênio
amoniacal em função da carga aplicada.
Foram construídos dois filtros biológicos em escala-piloto,
um preenchido com brita e outro com material plástico (figura
2). A operação inicialmente é feita com leitos percoladores,
evoluindo posteriormente para aerados submersos, introduzindo-se aeração artificial e afogando-se os leitos e, depois,
para reatores híbridos, retornando-se o lodo do decantador
acoplado. A altura dos leitos é de 4 m. Os filtros percoladores
ou aerados submersos são submetidos a diferentes taxas de
aplicação de NKT. Cada etapa tem duração de seis meses,
entre partida e operação no regime estabilizado. Os parâmetros
de controle são semelhantes aos propostos para as
lagoas-piloto.
SUBPROJETO 2 - Utilização agrícola do efluente da lagoa
facultativa
O segundo subprojeto tem por objetivos (i) avaliar os efeitos da
utilização de efluente de lagoa facultativa sobre as características
físicas, químicas e biológicas do sistema solo-planta-água
do lençol freático, na irrigação de culturas de cana-de-açúcar
e capim Bermuda Tifton e (ii) fornecer subsídios, a partir das
taxas de aplicação de efluente da agricultura utilizadas, para a
avaliação da área necessária por habitante para eliminação da
descarga direta em corpos d’água naturais.
Na área da cultura do capim Tifton, são monitoradas as
propriedades físicas do solo (condutividade elétrica, porosidade,
granulometria e argila dispersa em água), a qualidade da
solução no solo, o estado nutricional das plantas, a produção
de massa seca, o retorno econômico e o impacto ambiental
no solo da área. O sistema de irrigação empregado é o de
aspersão convencional. O manejo da irrigação é realizado mediante
leitura (a cada dois dias) dos tensiômetros, localizados
em cinco camadas de solo até a profundidade de 1 m. O delineamento
experimental empregado é o de blocos completos
casualizados com seis tratamentos e quatro repetições. São
mantidas parcelas que recebem 50% da dose de N mineral
e aplicações do efluente a 100%; 125%; 150% e 200% da
capacidade de evapotranspiração.
Na área da cultura de cana-de-açúcar, são utilizadas 20
parcelas com cana-de-açúcar, 16 irrigadas com efluente (figura
3). O experimento terá duração de quatro safras. O primeiro
corte será feito quando a cultura atingir 18 meses, e os
cortes subseqüentes em intervalos de 12 meses. O sistema
de irrigação por gotejamento é manejado em função da determinação
da evapotranspiração da cultura. O delineamento
experimental envolve parcelas que recebem 50% da dose de
N mineral e aplicações do efluente a 100%; 125%; 150% e
200% da capacidade de evapotranspiração.

Figura 3 - Vista da cultura de cana-de-açúcar
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