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:: Instituição
O Grupo de Saneamento
Ambiental (GSA) da Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) vem se consolidando desde
1994 como grupo atuante em engenharia sanitária
e ambiental, no âmbito do ensino, extensão e
pesquisa, desenvolvendo intensas atividades em rede
com outras universidades. Dentre essas atividades
pode-se destacar a participação nos programas
Prosab, Pronex e CT-Petro. Vários docentes do GSA
participam também do Programa Xingó, de natureza
multidisciplinar, que reúne várias universidades do
Nordeste, além de órgãos governamentais (Chesf,
CNPq), nas áreas de recursos hídricos, saneamento
ambiental e qualidade de água.
Desde 1997 o GSA possui convênios com a
Prefeitura da Cidade do Recife e a Companhia
Pernambucana de Saneamento, para o
monitoramento da estação de tratamento de esgoto
Mangueira (ETE-Mangueira), onde estão localizadas
as unidades experimentais da UFPE (figura 1).
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Resumo do Projeto
A escassez de recursos hídricos em Pernambuco é
um dos fatores agravantes do quadro sanitário, ambiental, econômico e social
no estado. A má distribuição de água, tanto espacial quanto temporal, já atinge
as regiões litorâneas, onde se localizam os maiores centros urbanos. Portanto, é
necessário priorizar as águas de boa qualidade para o consumo humano, devidoà sua grande importância na sobrevivência e qualidade de vida da população.
Visando a esse objetivo, o uso planejado de efluentes para irrigação é uma
excelente alternativa de reciclagem de água e nutrientes contidos nos mesmos,
especialmente em regiões semi-áridas. Por outro lado, quando os efluentes
tratados são lançados em corpos d’água, eles podem causar desequilíbrios
ecológicos e impactos ambientais consideráveis. Assim, deve-se avançar no
aprimoramento do tratamento de efluentes, principalmente no que diz respeito à remoção dos nutrientes, buscando-se baixo custo e simplicidade operacional.
Para isso, será preciso estudar formas integradas de tratamento que considerem
essas práticas aliadas às necessidades de reúso agrícola, tanto na época
de estiagem quanto na de chuvas, para que se possam produzir efluentes que
atendam aos padrões de lançamento. É dentro dessa abordagem que o presente
projeto desenvolve dois subprojetos, integrados e complementares, na área de tratamento e reutilização de efluentes.

Figura 1 - Reator UASB seguido de lagoa de polimento (ETE–Mangueira)
SUBPROJETO 1 – Indução da supressividade do solo a Fusarium
oxysporum e nematóides em milho fertirrigado com
efluente doméstico.
Neste primeiro subprojeto será avaliada a eficiência da aplicação
de efluentes tratados na fertirrigação de plantas de milho
(Zea mays L.) e na indução da supressividade de solos a Fusarium
oxysporum e Melodoigyne incognita. No experimento é utilizado o efluente de um reator UASB operado em escala
real. O método de irrigação empregado é o localizado por gotejamento
(figura 2). Devido aos seus teores de nutrientes,
matéria orgânica dissolvida e microrganismos, o efluente é um
resíduo com um considerável potencial de indução da ‘supressividade
do solo’ (capacidade do solo em inibir a incidência
de doenças de plantas). Este fenômeno pode ocorrer devido
a características naturais do solo, como, por exemplo, condutividade
elétrica ou teor de cálcio, como também induzida ou
potencializada pela aplicação de insumos, por exemplo, lodo
de esgoto higienizado ou efluente tratado. O último insumo
será testado neste trabalho. Os efeitos da fertirrigação ocorrem
sobre fatores bióticos e abióticos, induzindo mecanismos
de controle biológico, como competição, parasitismo e antibiose.
Como resultados da pesquisa, serão fornecidos subsídios
técnicos para o cultivo de milho fertirrigado com efluente
tratado, um levantamento sobre a indução da supressividade
do solo a fungos e nematóides e uma avaliação do potencial
de remoção de microrganismos patogênicos pelo complexo
solo/planta.
SUBPROJETO 2 – Aplicação de sistemas integrados para a
remoção simultânea de carbono e nitrogênio
Neste segundo subprojeto são utilizados dois conjuntos, cada
um com dois reatores híbridos (figura 3). Reator híbrido é a
junção de duas ou mais unidades de tratamento em um único
tanque ou unidade. Cada conjunto de reatores é composto de
um reator híbrido anaeróbio e outro aeróbio, ambos com filtro
biológico com anéis de eletrodutos como meio suporte, na
parte superior. O sistema tem recirculação do efluente para
a remoção de nitrogênio. Estão sendo testadas várias taxas
de recirculação para verificar a melhor condição para essa
remoção. Além da remoção do nitrogênio, o sistema ainda
pretende aprimorar a remoção da matéria orgânica e também
dos ovos de helmintos, parâmetro que está diretamente ligado à possibilidade do reúso de efluentes na agricultura. Como
objetivos secundários desse subprojeto são estudados quais
os microrganismos responsáveis pela remoção de nitrogênio
que se desenvolvem dentro do sistema, bem como os custos
envolvidos para a implantação e operação.
Figura 2 -Sistema de irrigação por gotejamento e lisímetro
de drenagem para cultivo de milho fertirrigado com efluente
doméstico para estudos da indução da supressividade
do solo a Fusarium oxysporum e nematóides

Figura 3 - Reatores híbridos aplicados em sistemas
integrados para a remoção simultânea de carbono
e nitrogênio
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