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:: Instituição
O Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) nasceu
há 108 anos de um núcleo agregado à Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). A
trajetória do Instituto confunde-se com a história do
crescimento de São Paulo e de sua indústria. Ligado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São
Paulo, o IPT tem por objetivo atender à demanda
de ciência, tecnologia e serviços tecnológicos
especializados. Conta com 14 unidades técnicas, 30
laboratórios e 10 seções técnicas, e um quadro de
1.826 funcionários e colaboradores.
O Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento
(LIPS) integra o Centro Tecnológico do Ambiente
Construído (Cetac) e acumula um longo histórico
de pesquisas em conservação de água em edifícios
e sistemas públicos de abastecimento.
O IPT oferece cursos de pós-graduação strictu sensu,
mestrado profissional de habitação e mestrado
profissional de tecnologias ambientais.
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Resumo do Projeto
O aproveitamento de água de chuva em edifícios tornou-
se uma realidade objetiva, tendo despertado rapidamente o interesse de
construtores e usuários, e se impôs na prática, como se observa em edifícios
destinados a usos diversos. Diante desse quadro, a pesquisa determinou por
objetivo descrever e caracterizar soluções alternativas de sistemas prediais de
aproveitamento de águas de chuva, envolvendo os componentes de instalações
prediais de captação, condução, reservação, e de tratamento dessas águas,
bem como estabelecer medidas visando à utilização desses sistemas segundo
padrões sanitários seguros.
O aproveitamento de água de chuva exige o desenvolvimento de tecnologias
adequadas baseadas em parâmetros e critérios técnicos específicos,
segundo as condições ocupacionais e construtivas dos edifícios, bem como as
condições econômicas dos usuários. Esse desenvolvimento já teve início nas
pesquisas do Prosab-4, edital anterior ao presente.
A presente pesquisa compreende três subprojetos: (i) desempenho de dispositivos
e componentes existentes no mercado e de caráter inovativo, usados
em instalações prediais de aproveitamento de água de chuva; (ii) avaliação de
um sistema-piloto de aproveitamento de água de chuva em
uma cozinha industrial e refeitório e (iii) verificação da ocorrência
de microrganismos patogênicos em águas escoadas de
telhados e coberturas.
As figuras 1 e 2 mostram dispositivos de descarte de primeiras
chuvas desenvolvidos pelos próprios usuários, enquanto
a figura 3 apresenta uma técnica com o mesmo propósito
usada no Havaí. Na figura 4, podem ser vistos microrganismos
potencialmente presentes em águas de chuva escoadas
de telhados, segundo levantamento bibliográfico já realizado.
Serão verificados, preliminarmente, filtros de linha verticais,
equipamentos específicos de filtração instalados na horizontal,
dispositivos para descarte de águas inicialmente escoadas e
equipamentos de desinfecção, em instalações laboratoriais.

Figura 1 - Dispositivo automático para descarte das primeiras águas escoadas de telhados e coberturas

Figura 2 - Dispositivo automático para descarte desenvolvido
pelo próprio usuário
Figura 3 - Dispositivo automático para descarte usado no Havaí
A verificação de filtros orienta-se pela eficiência na remoção
de sólidos, grau de aproveitamento da água a ser filtrada
e adaptação ao uso, segundo diversos valores de vazão e de
sólidos. Os dispositivos de descarte serão avaliados quanto à
automação e características de operação. A compatibilidade desses produtos com soluções construtivas e arquitetônicas
típicas e inovativas também será verificada. A descrição da
qualidade da água após escoamento sobre coberturas será
feita pela medição de parâmetros físico-químicos e de microrganismos.
Estão previstos os seguintes parâmetros: DBO;
DQO; alcalinidade; acidez; dureza; cor aparente; cor verdadeira;
turbidez; pH; amônia; nitrito; nitrato; ST; SV e SST. Parte
dessas medições terá caráter exploratório visando a verificar a
presença de certas substâncias, relatadas na literatura e que
são peculiares às condições locais de poluição aérea e tipo
de cobertura.
Com relação à água reservada após filtração e eventual descarte,
também é avaliada sua qualidade, uma vez que sistemas
de aproveitamento existentes no mercado e outros inovativos
exploram as possibilidades de sedimentação e de flotação nos
reservatórios de água pluvial como forma de obter uma zona
intermediária de água depositada de melhor qualidade.
A desinfecção das águas de chuva é processo obrigatório
para a maioria dos usos que têm sido cogitados. Inicialmente
apresenta-se como solução a manutenção permanente de um
teor de cloro residual livre mínimo no reservatório de águas
pluviais, de modo a que se mantenha a garantia do efeito residuário
quando houver bombeamento para o uso. Uma segunda
possibilidade é a desinfecção da água na tubulação que
conduz a água pluvial no momento do uso.
Com respeito ao aspecto sanitário, destaca-se o estudo e
a verificação da presença de microrganismos patogênicos.
Inicialmente está prevista a verificação de Escherichia coli,
coliformes totais, coliformes termotolerantes, Pseudomonas aeruginosa, clostrídios sulfito redutores, Streptococcus sp.,
Salmonella sp. e Shigella sp. Além disso, uma ampla revisão
bibliográfica sobre agentes patogênicos vinculados a aves,
gatos e ratos está sendo desenvolvida. A viabilidade da verificação
do toxoplasma, da leptospira e do enterovírus também
está sendo avaliada.
As águas pluviais para fins de verificação de microrganismos
são coletadas de edifício do campus do IPT, em edifícios
da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo
(Ceagesp) e em outro edifício a ser definido no campus da USP.
A instalação-piloto está implantada no conjunto de cozinhas
e refeitórios do campus do IPT. O aproveitamento da água de
chuva é feito na lavagem dos pisos internos dessa área, onde
hoje se usa, diariamente, água potável.

Figura 2 - Fotos de microrganismos encontrados em águas de
chuva armazenadas em cisternas
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