Filtração em margem como pré-tratamento
de águas poluídas por toxinas, microrganismos
e microcontaminantes




:: Instituição

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi criada em 18 de dezembro de 1960 e conta hoje com 46 departamentos. O Centro Tecnológico (CTC) congrega nove departamentos, incluindo o de Engenharia Sanitária e Ambiental (ENS), criado em 1986, com a missão de desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão, buscando respostas para os problemas ambientais e contribuindo para o desenvolvimento sustentável.
Para tanto, o ENS dispõe de uma equipe de 19 professores, quatro pesquisadores associados, dois servidores, três técnicos administrativos e um técnico laboratorista, responsáveis pelos cursos de graduação (com 400 alunos) e pós-graduação (mestrado e doutorado, com 120 alunos). Em 2000, foi criado o Laboratório de Potabilização de Águas (LAPOÁ), cujo objetivo principal é desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área de tratamento de águas para abastecimento.

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:: Resumo do Projeto

Alguns problemas enfrentados atualmente por algumas estações de tratamento de água (ETAs) são a ocorrência de florações de cianobactérias e de microcontaminantes em seus mananciais. Dependendo das espécies envolvidas ou dos contaminantes, a qualidade da água produzida pode ser seriamente comprometida. Tanto a vertente que compreende as cianobactérias que podem produzir toxinas (cianotoxinas) quanto a vertente que contamina os mananciais por agrotóxicos (substâncias tóxicas) provocam problemas de saúde ambiental e pública e, conseqüentemente, prejudicam os processos de tratamento utilizados nas companhias de saneamento.
Uma alternativa para esse problema é a filtração em margem – processo relativamente simples e econômico, que vem sendo eficientemente utilizado na Europa, principalmente na Alemanha, para remover materiais em suspensão, microrganismos e uma variedade de contaminantes químicos.
A filtração em margem consiste na retirada de água subterrânea em um local adjacente, que corresponde à formação geológica, próxima ao corpo deágua, para que o rebaixamento do nível da água subterrânea induza a água da fonte superficial a escoar pelo solo. Para isso, constroem-se poços de captação nas margens do manancial, criando artificialmente uma diferença de nível entre o manancial e o lençol freático (gradiente hidráulico), mudando o sentido do escoamento em direção ao poço. A idéia básica da filtração em margem é utilizar os sedimentos naturais do corpo da água superficial como meio filtrante, como mostra a figura 1. Os possíveis contaminantes presentes na água superficial são então removidos nesse percurso.




Figura 1
- A idéia básica da filtração em margem é utilizar os sedimentos
naturais do corpo da água superficial como meio filtrante



Com isso, o presente projeto visa a desenvolver um estudo para remoção de cianobactérias através da filtração em margem, seguida de filtração direta descendente. Com relação ao microcontaminante, o estudo pretende remover os agrotóxicos por meio da filtração em margem, seguida de filtração lenta.
Tanto a filtração lenta quanto a filtração direta descendente são técnicas de tratamento com custos menores que o chamado‘tratamento convencional’. Entretanto, é preciso que a qualidade da água a ser tratada tenha características adequadas. Assim, a combinação da filtração em margem com essas técnicas mostra-se bastante promissora para a realidade econômica brasileira.
As investigações experimentais para avaliar a remoção de toxinas são conduzidas no Laboratório de Águas da Lagoa do Peri, localizado junto à estação de tratamento de água da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), como ilustra a figura 2. Fazem parte dos experimentos: filtração em margem e filtração direta descendente através de sistemas-piloto; e simulação da filtração em margem através de colunas com sedimentos da margem da lagoa do Peri.
Para avaliar a remoção de agrotóxicos, são realizados experimentos em sistema-piloto de filtração em margem de rio e de filtração lenta, localizado na cidade de Ituporanga (SC). Também são realizados ensaios em colunas com sedimentos das margens do rio Itajaí do Sul extraídos durante a abertura do poço. A escolha do local tomou por base a intensa atividade agrícola da região (figura 3).
Espera-se, no final desta pesquisa, ter contribuído para as melhorias das tecnologias de tratamento de água, principalmente aumentando as possibilidades de tratar água a baixo custo, isenta ou com o mínimo de substâncias e espécies tóxicas condizentes com o padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria n° 518, de 25 de março de 2004, do Ministério da Saúde.




Figura 2 - Experimentos para avaliar a remoção de toxinas são feitos no Laboratório de Águas da Lagoa do Peri, na estação de tratamento de água da Casan



Figura 3 - A escolha do local para realização de ensaios em colunas com sedimentos tomou por base a intensa atividade agrícola da região




Universidade Federal de Santa Catarina / Centro Tecnológico / Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental
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