Tratamento de esgotos domésticos por técnicas avançadas visando o reúso da água




:: Instituição

Fundado no dia 7 de agosto de 1953 por ato do Prof. Elyseu Paglioli, Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto de Pesquisas Hidráulicas - IPH - foi estruturado como um laboratório de hidráulica para desenvolver pesquisas com utilização de modelos reduzidos. De matéria-prima polivalente e imprescindível, a água passou a ser elemento de importância estratégica na condução da vida das nações. Ela assume importância maior e crescente, e requer que haja não somente indivíduos, mas, sobretudo, instituições aptas a lidar com os problemas que a envolvem.
Dentro deste espírito, a atuação do IPH foi ampliada, englobando ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviços à comunidade, para vários segmentos da ciência das águas: irrigação e drenagem, hidrologia de águas subterrâneas, erosão e sedimentação,< saneamento ambiental, hidrologia superficial, hidráulica e hidromecânica, planejamento e gestão de recursos hídricos e sensoriamento remoto aplicado aos recursos hídricos. Deste modo, encontram-se presentes no IPH as diversas especialidades das ciências da água necessárias para um abordagem integrada dos problemas que envolvem os recursos hídricos, reunindo conhecimento para:
- Avaliar a disponibilidade dos recursos;
- Projetar obras e sistemas;
- Preservar a sua qualidade e,
- Promover a gestão integrada dos mesmos, da forma mais eficiente possível.

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:: Resumo do Projeto

A crescente demanda por água torna o reúso planejado da água um tema de grande importância em diversos setores da sociedade. Em particular os esgotos domésticos tratados desempenham um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas ou industriais, entre outros.

Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. Assim, o reúso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade menos nobre.
Esta prática, já utilizada em alguns países, está baseada no conceito de substituição de mananciais em função da qualidade requerida para um uso específico.


Figura 1 - Vista geral da planta piloto

Este projeto está baseado na necessidade de adequação da qualidade de efluentes líquidos domésticos frente às exigências dos órgãos ambientais e, principalmente, da crescente necessidade de reutilizar a água para diversos fins. Pretende-se combinar técnicas biológicas consolidadas de remoção de poluentes com tecnologias compactas de separação entre sólido e líquido para obtenção de água com diferentes níveis de qualidade para irrigação de culturas de cereais, com possibilidade de aumento da produtividade agrícola.

Todos os estudos serão realizados nas instalações da Estação de Tratamento de Esgotos em Escala Piloto, funcionando na ETE São João - Navegantes (DMAE -< Porto Alegre) (Figura 1). O efluente a ser estudado será proveniente desta planta piloto que está em operação desde setembro de 2002 e é composta pela combinação de um reator anaeróbio, tipo UASB, uma lagoa de estabilização e um sistema de flotação otimizada, que proporciona a separação dos lodos orgânico e inorgânico (Figura 2).


Figura 2 - Fluxograma geral da ETE piloto

A metodologia empregada está dividida em cinco etapas, descritas a seguir: 1 - otimização das etapas de tratamento visando a minimização da presença de ovos de helmintos no efluente do reato anaeróbio; 2 - planejamento e montagem do experimento agrícola em vasos; 3 - plantio da cultura de inverno; 4 - plantio da cultura de verão; 5 - avaliação dos resultados globais.

O experimento agrícola será instalado em área coberta por manto transparente de polipropileno, visando otimizar as condições de controle do percolado líquido e avaliar a influência da qualidade de cada efluente de forma independente. As unidades experimentais potes de 30cm de diâmetro e 65cm de altura (Figura 3). O solo utilizado será o Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico arênico (PVAd).
As doses das águas serão determinadas em função do teor de nutrientes. Os tratamentos serão:
1 - testemunha
2 - com adubação mineral + calagem
3 - água do reator anaeróbio + calagem
4 - água da lagoa de estabilização + calagem
5 - água da primeira flotação + calagem


Figura 3 - Esquema da montagem dos potes

A presença de patógenos e contaminantes químicos será avaliada no solo e no lixiviado. Os experimentos serão conduzidos em esquema de blocos ao acaso, contendo três repetições por tratamento. Para a análise dos resultados experimentais serão utilizados os procedimentos normais de análise de variância e a partir da significância do teste F serão comparadas as médias através do teste de Tukey a 5% de
probabilidade.


Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
Instituto de Pesquisas Hidráulicas - IPH
Av. Bento Gonçalves, 9500 - Porto Alegre - RS
CEP: 91501-970
Tel.: (51) 3316-6660 E-mail: montegia@iph.ufrgs.br