Desinfecção de Esgoto Sanitário Tratado em Sistema de Lagoas e Estabilização e Aplicações em Fertirrigação, Piscicultura e Hidroponia




:: Instituição

A Universidade de São Paulo (USP) é uma das mais tradicionais instituições de pesquisa e ensino, em nível superior, da América do Sul. Entre as diversas instituições que fazem parte da USP, encontram-se a Faculdade de Saúde Pública, a Escola de Engenharia de São Carlos e a Escola Superior de Agronomia "Luiz de Queiróz", responsáveis pelo desenvolvimento desta pesquisa, juntamente com a SABESP.

A Faculdade de Saúde Pública fundada em 1934, é composta, atualmente, por cinco departamentos, um dos quais, o Departamento de Saúde Ambiental (HSA), tem como missão a geração e a difusão de conhecimentos na área de meio ambiente, com ênfase em saneamento básico e ambiental e saúde do trabalhador. O HSA é responsável por cursos, pesquisas e prestação de serviços à comunidade, produzindo publicações resultantes de dissertações e teses de seus alunos, bem como desenvolvendo estudos e pesquisas decorrentes de convênios com instituições públicas e privadas. Neste projeto de pesquisa, cabe ao HSA a coordenação geral do projeto e a responsabilidade pelos exames biológicos dos efluentes.

A Escola de Engenharia de São Carlos, goza de amplo prestígio no cenário das engenharias, em particular da engenharia civil, da qual faz parte o Departamento de Hidráulica e Saneamento (SHS), co-participante neste projeto de pesquisa. Desde a sua criação em 1968, o SHS vem desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviços nas áreas de Saneamento, Gestão Ambiental e Recursos Hídricos. Neste projeto, a EESC é a responsável pelos processos de desinfecção dos efluentes sanitários.

A Escola Superior de Agronomia "Luiz de Queiroz" (ESALQ), renomada instituição de ensino e pesquisa na área das ciências agronômicas participa desta pesquisa através dos Departamentos de Produção Animal e de Solos e Nutrição de Plantas, responsáveis pelos sub-projetos relativos à aqüicultura e à hidroponia, respectivamente. O Núcleo de Pesquisas em Geofísica da Litosfera (NUPEGEL), que conta com diversos professores da ESALQ, será responsável pelas aplicações produtivas em sistema de fertirrigação.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), é uma das maiores empresas de saneamento da América Latina, operando em 364 municípios e atendendo a uma população de 24 milhões de habitantes. Participa deste projeto através da Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e da Unidade de Negócio do Baixo Tietê, cedendo o campo experimental, no município de Lins/SP, além da ceder alguns de seus profissionais para integrar a equipe técnica responsável por este programa de pesquisa.



:: Resumo do Projeto

Composto por quatro subprojetos, este projeto será realizado nas instalações da SABESP,em Lins/SP, que possui um sistema australiano de tratamento de esgotos composto de três módulos em paralelo de lagoas anaeróbias seguidas de lagoas facultativas fotossintéticas. (figura 1). Do módulo de lagoas,cserá derivada uma vazão de 10 L/s para a alimentação do sistema piloto de desinfecção e aplicações. Numa área anexa às lagoas facultativas, com área total de 6 ha, serão realizados os experimentos de fertirrigação e hidroponia. Será possível manobrar a alimentação das linhas de irrigação de forma a variar o processo de desinfecção do esgoto aplicado a cada tipo de cultura implantado, bem como a manutenção de testemunha. Uma derivação de esgotos desinfetados por ozonização e outra por radiação UV serão usadas para a alimentação das estufas onde serão realizados os experimentos com culturas hidropônicas. Finalmente, no trecho final de uma das outras duas lagoas facultativas, serão introduzidas e cultivadas determinadas espécies de peixes.


Figura 1- Vista geral do sistema de lagoas de estabilização.

Subprojeto 1: Sistemas de desinfecçãoSerão avaliados o efeito das dosagens, dos tempos de contato, das características físico-químicas dos efluentes e de condições operacionais específicas dos sistemas de desinfecção por radiação ultravioleta, ozônio e cloro, sobre a atividade de organismos indicadores e sobre a concentração de matéria orgânica dos esgotos. O ozonizador que tem uma capacidade de 8 gO2/h, e o sistema de aplicação de radiação UV, que utiliza tecnologia Aquionics, foram comprados e o tanque de contato de cloro foi construído. Foi programado o controle físico, químico e biológico dos esgotos à entrada e saída das lagoas anaeróbia e facultativa, bem como dos efluentes dos diversos processos de desinfecção. Serão comparadas as resistências de coliformes fecais, aeromonas, colifagos, Clostridium perfringens, cistos de Giárdia e ovos de Ascaris lumbricóides à ação dos diversos agentes desinfetantes empregados. O controle físico-químico envolve condições de temperatura, pH e concentração de matéria orgânica, dentre outros parâmetros.

Subprojeto 2: Sistema de fertirrigação
Na área anexa às lagoas facultativas, será estudado um sistema de produção de milho, tomate e feno (tifton), aplicando-se os esgotos desinfetados em sistema de irrigação por gotejamento. Os problemas no sistema de irrigação decorrentes da utilização de esgoto tratado deverão ser equacionados, avaliando-se o grau de comprometimento operacional. A ocorrência de problemas fitossanitários também deverá ser analisada. O principal resultado esperado será a determinação da viabilidade da técnica utilizada em cada um dos experimentos, através da análise da produtividade e qualidade das culturas.


Figura 2: Área preparada para o cultivo.

Subprojeto 3: Sistema de hidroponia
O estudo compreende a utilização dos esgotos tratados em sistema de lagoas de estabilização, após sofrerem desinfecção por ozonização e aplicação de radiação ultravioleta, na produção de flores pelo sistema de hidroponia. Deverá ser realizado um balanço nutricional dos efluentes, propondo-se as complementações necessárias para uma produção adequada de flores. O principal resultado esperado será a avaliação dos efeitos da utilização de efluentes sobre a qualidade das plantas produzidas.

Subprojeto 4: Sistema de piscicultura
No trecho final da lagoa facultativa, localizada na cota mais baixa do terreno, serão introduzidas e cultivadas determinadas espécies de peixes. A princípio serão utilizadas carpas exóticas que poderão ser substituídas por tilápias ou outras espécies mais resistentes, caso a qualidade das águas expressa em termos de pH, oxigênio dissolvido, temperatura e concentração e gêneros de algas predominantes, dentre outros parâmetros, determine essa necessidade. Também será exercido o controle sobre a quantificação da produção e a condição sanitária do produto. Serão avaliadas as influências das características físico-químicas dos esgotos no interior da lagoa facultativa sobre o desenvolvimento das espécies de peixes introduzidas e os efeitos da criação de peixes sobre o estado de eutrofização do meio, além das condições sanitárias dos peixes produzidos.


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