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:: Instituição
A
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, criada em 1966,
com sede na cidade de Campinas, Estado de São Paulo,
oferece cerca de 57 cursos de graduação em
diversas áreas e duzentos e vinte e três cursos
de pós-graduação. Conta, atualmente,
com cerca de 11.000 alunos de graduação, 10.000
alunos de pós-graduação e 2.000 docentes.
Hoje,
suas 20 unidades de ensino e pesquisa, além de suas
dezenas de unidades de apoio tecnológico e de serviços,
são responsáveis por, aproximadamente, 15%
de toda a pesquisa universitária brasileira. Seus
programas de pós graduação concentram
aproximadamente 10% dos mestrados e doutorados de todo o
país, qualificando profissionais que, em boa parte,
atuam como professores em outras instituições
do país e do exterior-o que faz da Unicamp uma espécie
de " escola de escolas". A quase totalidade dos
professores da Unicamp trabalha em dedicação
exclusiva e 90% deles têm titulação
de doutor atingindo um índice de primeiro mundo.
É preocupação constante da UNICAMP
desenvolver pesquisas com aplicabilidade social a fim de
transferir à sociedade os resultados de seu trabalho.
A
Faculdade de Engenharia Civil - FEC - foi criada em 1969,
contando, atualmente, com cursos de graduação
em Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo e pós-graduação
em Engenharia Civil. Para a Engenharia Civil, a FEC dispõe
de diversos laboratórios nos cinco departamentos,
que cobrem as grandes áreas de formação:
Saneamento e Ambiente, Recursos Hídricos, Estruturas,
Arquitetura e Construção Civil e Geotecnia
e Transportes. Na Pós-Graduação, a
FEC tem programa de mestrado nas áreas de Saneamento
e Ambiente, Recursos Hídricos, Estruturas, Transporte
e Edificações e está em processo de
credenciamento do programa de doutorado em Saneamento e
Ambiente e Recursos Hídricos. Os Laboratórios
do Departamento de Saneamento e Ambiente possuem infra-estrutura
para realizar diversos estudos de tratabilidade e análises
de características físicas, químicas
e microbiológicas de águas de abastecimento,
águas residuárias e de processos industriais.
São utilizados para atividades didáticas e
de pesquisas na graduação e pós-graduação,
além da prestação de serviços
à comunidade.
As
grandes linhas de pesquisa desenvolvidas atualmente são:
Tratamento de Águas de Abastecimento, Tratamento
de Águas Residuárias, Planejamento e Gerenciamento
Ambiental, Reaproveitamento de Águas e Resíduos
Sólidos e Tratamento de Resíduos Sólidos
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Resumo do Projeto
O
projeto desenvolvido na FEC, UNICAMP, é composto
de dois subprojetos.
Subprojeto
1 - Remoção de patógenos em valas de
filtração e em filtros superficiais de areia
e o efeito da desinfecção por pastilhas de
compostos de cloro e da radiação UV.
Este
subprojeto visa a avaliação dos sistemas de
desinfecção por cloração e por
radiação UV, acoplados a dois sistemas de
pós-tratamento de efluentes derivados de reatores
anaeróbios: valas de filtração modificada,
descrita no Edital II - Prosab, Tema 2; e filtros de areia
com diferentes alturas de leito filtrante (Figura 1). Os
filtros anaeróbios foram descritos nos projetos referentes
ao Edital I - Prosab, Tema 2. Nesta pesquisa, serão
avaliados: o desempenho global da vala de filtração
e do filtro de areia como pós-tratamento dos efluentes
líquidos destes filtros; o efeito da desinfecção
nos efluentes dos sistemas de pós-tratamento, utilizando-se
o cloro e a radiação UV; e a capacidade natural
destes sistemas em remover patógenos e substâncias
nocivas.
Para
isto, pretende-se avaliar os níveis de desinfecção
oriundos dos processos germicidas por cloração
e por radiação UV, a fim de assegurar melhores
condições de proteção à
saúde pública. Neste contexto, é importante
salientar que a escolha de um dado processo de desinfecção
não está relacionado apenas com os objetivos
de qualidade da água. Outros fatores como custo,
equipamento adequado e toxicidade residual do efluente,
devem ser considerados.
Devido à sua facilidade de aplicação,
medição, controle e preço relativamente
acessível, o cloro tornou-se o desinfetante mais
utilizado devido a sua potência e efetividade como
germicida. Pode ser encontrado em vários estados:
gasoso - mais utilizado pelas empresas de saneamento em
sistemas de grande porte; líquido - utilizado, por
exemplo, no preparo das conhecidas "águas sanitárias";
e o sólido (granulado) - largamente empregado na
forma de pastilhas, que por suas características
construtivas, apresentam-se como uma alternativa para otimização
de sistemas de desinfecção de pequeno e médio
porte. Nesta etapa da pesquisa, serão avaliadas a
eficácia de desinfecção em relação
às bactérias, cistos de protozoarios e ovos
de helmintos pela unidade apresentada na Figura 2. Entretanto,
conforme revelam estudos recentes, a cloração
pode ser a responsável pela geração
de subprodutos indesejáveis e com propriedades carcinogênicas,
sendo necessário avaliar, na medida do possível,
sua ocorrência. Outros problemas inerentes ao dimensionamento
das unidades de tratamento e aos custos deverão ser,
igualmente, avaliados, como as conseqüências
da necessidade de aplicação de altas dosagens
do oxidante e do longo tempo de contato.
Figura
1 - Unidade de desinfecção utilizando
pastilhas de cloro proposta para o acoplamento às
valas de filtração e aos filtros superficiais
de areia.
Por
outro lado, a desinfecção por UV praticamente
elimina riscos de formação de subprodutos
indesejáveis. Para assegurar a sua utilização,
deverá ser avaliada a sua eficácia nas diferentes
caracteristicas apresentadas pelos efluentes e demonstrar
a competitividade econômica deste sistema, quando
comparado à aplicação de cloro no tratamento
de águas residuárias. Diante do quadro atual,
em que se prioriza a racionalização do uso
da energia elétrica e sabe-se que a indústria
do cloro consome muita energia elétrica para produzir
este desinfetante, um estudo comparativo entre o uso do
cloro como desinfetante e a ação germicida
da radiação ultravioleta (Figura 3), parece
ser muito oportuna.

Figura
2 - Unidade de desinfecção utilizando
pastilhas de cloro proposta para o acoplamento às
valas de filtração e aos filtros superficiais
de areia.
Subprojeto
2 - Avaliação sanitária e agrícola
de efluente líquido anaeróbio percolado em
solo irrigado pela técnica de sulco raso de infiltração.
Nesta
pesquisa, será aplicado o método de irrigação
que utiliza a técnica de infiltração
de sulco raso como pós-tratamento dos efluentes de
filtros anaeróbios, em plantio da cultura de milho.

Figura 3 - Unidade de desinfecção
por radiação ultravioleta.
Na tentativa de reduzir ao máximo os impactos sobre
o meio ambiente,é necessário aliar critérios
da Engenharia Sanitária aos da Engenharia de Irrigação.
Nesse sentido, propõe-se a aplicação
do efluente sanitário em sulcos com o dimensionamento
adequado e selecionando-se a cultura conveniente para remover
nutrientes. Assim, o objetivo de tratamento será
atingido, a matéria orgânica será degradada
e os nutrientes serão devolvidos aos seus ciclos
biogeoquímicos. Nesse sistema, o tipo do solo, a
carga hidraulica aplicada, a freqüência de irrigação,
entre outros, serão fatores preponderantes para a
remoção dos patógenos e preservação
da qualidade da água infiltrada no solo. Pretende-se,
com a associação dos objetivos e critérios
de projetos destas duas áreas da engenharia, desenvolver
um sistema compacto e de baixo custo, onde o tratamento
global do sistema tenha um maior desempenho e atinja o propósito
da sustentabilidade ambiental (Figura 4).
O
reuso de efluentes não deve ser encarado como uma
aplicação indiscriminada e sem critérios,
tendo em vista que, o esgoto deve ser tratado no solo sem
qualquer possibilidade de contaminação do
lençol freático, ou da saturação
de nutrientes do solo, entre outros. De uma maneira geral,
as pesquisas relacionadas ao uso do esgoto doméstico,
através do emprego de métodos de tratamento
no solo, têm demonstrado ser de elevada eficácia.
Contudo, os estudos de aplicação de efluente
anaeróbio de esgotos domésticos através
da irrigação não são encontrados
na literatura, devendo portanto serem investigados.
Figura
4 - Reuso do esgoto doméstico através
da irrigação
por sulco de infiltração, na cultura de milho.
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