Tratamento e Desinfecção de Esgoto Visando Reuso Produtivo na Agricultura e na Indústria ou Armazenagem em Barragens




:: Instituição

A Universidade do Recife foi fundada em 1946 e constitui-se no primeiro grande centro universitário do Norte e Nordeste do Brasil. Seu surgimento foi o resultado da união da Faculdade de Direito fundada em 1827, da Escola de Engenharia de Pernambuco fundada em 1895, da Faculdade de Medicina, 1920, da Escola de Belas Artes, 1932, e da Faculdade de Filosofia, 1941. No ano de 1965, a Universidade do Recife passou a integrar o grupo das instituições federais, com a denominação de Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é composta de 9 Centros Acadêmicos, todos situados no campus da Cidade Universitária (150 hectares), exceto a Faculdade de Direito, no centro de Recife. São 65 departamentos, 1600 professores (809 com doutorado), 3500 servidores técnico-administrativos e cerca de 20 000 alunos, distribuídos entre cursos de graduação e pós-graduação. A UFPE tem 60 cursos de graduação, 51 cursos de mestrado e 27 de doutorado.

A centenária Escola de Engenharia de Pernambuco, hoje também Centro de Tecnologia e Geociências, foi a quarta fundada no Brasil e a primeira do Norte e Nordeste. Atualmente conta com 10 departamentos, entre eles o Departamento de Engenharia Civil. Este departamento subdivide-se em 5 grandes áreas de concentração: Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos, Geotecnia, Estruturas, Transportes e Construção Civil. O departamento participa com as suas disciplinas na formação de engenheiros civis, mecânicos, elétricos, eletrônicos, químicos, de cartografia, de minas, geólogos e arquitetos.

O departamento abriga ainda o programa de pós-graduação em engenharia civil (Mestrado e Doutorado), com 3 áreas de concentração: Geotecnia, Estruturas e Tecnologia Ambiental-Recursos Hídricos. O número total de docentes é de 51, sendo 35 doutores, dos quais 10 na área de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos. Na pós-graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos, há ainda uma forte interação com os programas com interface na área ambiental, como os de Gestão e Políticas Ambientais, Oceanografia, Geologia, Desenvolvimento Urbano e Engenharia Química, todos da UFPE, assim como com os de Ciências do Solo e Tecnologia Rural, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Há ainda colaboração com os programas de pós-graduação em Nutrição e Saúde Pública da UFPE, bem como com o de Saúde Coletiva do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz. Como estrutura de apoio, conta-se ainda com o Laboratório de Saneamento Ambiental (250 m2), divididos em setores de físico-química, bacteriologia, microscopia, cromatografia e com instalações piloto na ETE Mangueira em Recife; com o Laboratório de Hidráulica (1000 m2) e com o Laboratório de Informática Aplicada (100 m2).

As principais linhas de pesquisa em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos desenvolvidas nos últimos anos englobam: tratamento e reuso de águas residuárias, tratamento de águas de abastecimento, gestão e tratamento de resíduos sólidos, qualidade de águas superficiais e subterrâneas, saneamento ambiental e saúde pública em municípios do semi-árido, gestão de bacias hidrográficas, barragens subterrâneas, salinização e estudos de impactos ambientais em obras de engenharia civil no setor de transportes (vias expressas, metrô, rodovias, portos e aeroportos) e de saneamento (barragens, adutoras, canais).

Alguns projetos realizados ou em andamento incluem: PROSAB (FINEP, CNPq, CAIXA), PRONEX (FINEP, CNPq), REHIDRO (FINEP), Projeto Nordeste (CNPq), CTPETRO (CNPq), PADCT CIAMB 02 (FINEP), PUBLIC 08 (FACEPE); convênios com CPRH/Conselho Britânico (bacia hidrográfica), Núcleo de Saúde Pública UFPE/JICA (saneamento ambiental e saúde pública), CHESF/CNPq/SUDENE (Programa Xingó - Recursos Hídricos e Qualidade das Águas), COMPESA/URB-Recife (tratamento anaeróbio de esgotos sanitários), SECTMA-PE (Ordenamento Rodoviário e Ambiental de Rodovias) e EMLURB/CEASA-PE (compostagem).



Foto 1 -
UFPE, Campus na Cidade Universitária, Centro de Tecnologia e Geociências, Escola de Engenharia de Pernambuco.




:: Resumo do Projeto

A escassez de recursos hídricos característica do estado de Pernambuco vem sendo um dos fatores agravantes do quadro sanitário, ambiental, econômico e social no estado. A má distribuição espacial e temporal das precipitações pluviométricas, anteriormente atribuída somente ao interior, já atinge regiões da Zona da Mata (litoral), onde se localiza a maior parte dos aglomerados urbanos. Em geral, as precipitações são insuficientes e concentradas em determinados meses do ano. Como resultado, observa-se, ou o escoamento sem qualquer aproveitamento, por causa da pouca capacidade de armazenamento de rios, açudes e represas, ou rios totalmente secos durante a maior parte do ano.

Considerando a necessidade de priorizar a conservação quantitativa e qualitativa da água, é necessário desenvolver ações nesse sentido. Dentro dessa perspectiva, o reuso de água planejado pode ser estabelecido de forma a atender as necessidades locais de forma integrada. Para o caso dos esgotos domésticos, por exemplo, as água servidas poderiam ter aproveitamento hidro-agrícola, após o tratamento ou pós-tratamento dos efluentes.

A pesquisa da UFPE sobre o reuso de efluentes do tratamento de esgoto sanitário na agricultura, está sendo desenvolvida em escala piloto numa área de 400 m2, localizada nas instalações da ETE Mangueira em Recife, próximo do Campus da universidade. Está sendo utilizado efluente de um reator UASB e de uma lagoa de polimento em sistemas de irrigação (localizada e superficial) em escala piloto.

Os objetivos específicos são:
. Avaliação da qualidade do efluente final do sistema de tratamento (UASB e lagoa de polimento), visando sua utilização em agricultura irrigada
. Estudo do manejo dos sistemas de irrigação e de drenagem, em escala piloto, com uso de efluentes tratados
. Avaliação do impacto da aplicação de efluentes tratados, no solo, no lençol freático e na produção agrícola
. Avaliação dos aspectos sanitários do reuso de águas residuárias em agricultura irrigada
. Avaliação do reuso na produtividade agrícola

Os resultados esperados são:
. Utilização racional de águas residuárias doméstica após o tratamento ou pós-tratamento, visando o reuso deste efluente em agricultura irrigada, tendo em vista a escassez e o conflito de usos múltiplos de água de boa qualidade
. Transferir a tecnologia para as cidades do interior e comunidades agrícolas que fazem reuso não planejado, permitindo que se integrem aos programas de recursos hídricos, saneamento e meio-ambiente do Estado
. Capacitação de novos pesquisadores, com âmbito em tecnologia ambiental, dentro do programa de Mestrado e Doutorado em Engenharia civil, na área de Tecnologia Ambiental, em tratamento de águas residuárias e reuso de água, da UFPE e da UFRPE
. Envolvimento de prefeituras e entidades participantes do programa Comunidade Solidária
. Envolvimento de alunos de graduação de engenharias civil, agronômica, química e biologia para a iniciação científica.

Foto 2 - Laboratório de Saneamento Ambiental, departamento de Engenharia Civil - CTG/EEP.


Foto 3 - Unidade piloto de reuso de efluentes na área da ETE Mangueira, Recife - PE.


Foto 4 - Vista geral da unidade-piloto de aplicação de efluentes para hidro-agrícola.


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