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O
Mestrado em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos do
Departamento de Engenharia Civil desenvolveu dois subprojetos
no PROSAB, que buscavam avaliar tecnologias alternativas
de desinfecção de água, voltadas para pequenas comunidades
e comunidades rurais, com pouca dependência de insumos,
pouco ou nenhum consumo de energia e simplicidade operacional.
Para cada uma das tecnologias avaliadas buscou-se apontar
as aplicações e limitações, em função da especificidade
do seu público alvo. Desta forma, estes subprojetos deram
sua contribuição para a produção da Cartilha sobre Desinfecção
para Sistemas Individuais e Comunidades de Pequeno Porte,
e do Relatório Técnico sobre Avaliação Comparativa de
Técnicas de Desinfecção que foram publicados por esta
Rede de Pesquisa.
Subprojeto
1 - Avaliação comparativa das variantes da tecnologia
MOGOD (Misturas Oxidantes Geradas on site para Desinfecção)
Esse subprojeto tinha como objetivos: (i) avaliar
se a tecnologia de produção in loco de "solução de
misturas oxidantes" a partir da eletrólise, apresenta
o mesmo potencial de desinfecção que a tecnologia
de geração de "mistura de gases oxidantes" da qual
foi originada; (ii) identificar o espectro de aplicabilidade
dessa tecnologia considerando a qualidade da água
bruta; (iii) avaliar as condições operacionais que
levam a uma eficaz desinfecção; (iv) avaliar, preliminarmente,
o potencial de formação de subprodutos clorados. O
trabalho foi desenvolvido em uma instalação em escala
de laboratório que funcionava em fluxo contínuo. A
instalação era composta de um tanque de alimentação
de "água bruta", um tanque de salmoura, dois reatores
(células) eletrolíticos para produção de desinfetante,
um dispositivo de injeção e mistura de desinfetante
no fluxo de água a ser tratada e um tanque de contato
tubular, dispostos conforme mostrado a Figura 1.
A água bruta e o desinfetante, produzidos através da
eletrólise de uma solução de cloreto de sódio, eram
alimentados, via bombeamento, no dispositivo de mistura.
O fluxo misturado era introduzido no tanque de contato
tubular dotado de pontos de amostragem. Esses pontos
de amostragem permitiram avaliar, ao mesmo tempo, a
eficiência de desinfecção a diferentes tempos de contato.
A água bruta usada nos experimentos consiste em uma
"água sintética", na qual estiveram sendo variados,
de forma independente, os níveis de contaminação microbiológica,
e os teores de turbidez e cor, permitindo simular
várias situações de qualidade de água. Para uma dada
característica de qualidade da água foram realizados
experimentos em replicatas com cada um dos dois reatores
eletrolíticos de geração de desinfetante.
A água sintética foi padronizada e foi a mesma em
todos os subprojetos da rede, o que permitiriu uma
comparação eficaz entre as tecnologias de desinfecção
que estavam sendo estudadas nas várias instituições
que compõem a rede.
A contaminação microbiológica da água baseia-se na
adição, em concentração pré-estabelecida, de três
espécies de microorganismos indicadores (Escherichia
coli, Colifagos e Clostriduim perfringens) que apresentam
resistências diferenciadas a ação dos agentes desinfetantes
Subprojeto
2: Potencial de uso da radiação solar no Brasil como
técnica de desinfecção em comunidades rurais - Desenvolvimento
de protótipos
Esse subprojeto foi desenvolvido em duas fases: (1)
de ensaios em batelada; e (2) de experimentos em reator
de fluxo contínuo. A mesma "água sintética" usada no
subprojeto 1,foi adotada nesse subprojeto 2. Neste caso
também são variados os níveis de contaminação
fecal e os teores de turbidez e cor. A princípio, tanto
os ensaios de batelada como os de fluxo contínuo, têm
duração (tempo total de exposição) de 6 horas.
Na fase 1, ensaios em batelada, a partir de uma amostra
de "água sintética" com uma determinada característica
de qualidade, são retiradas alíquotas de igual volume
que são submetidas a três condições distintas: (a)
exposição à radiação solar em recipiente claro (luz
e calor); (b) exposição à radiação solar em recipiente
escuro (calor); (c) não exposição à luz sob temperatura
constante. .

Esse procedimento permitiu avaliar, separadamente, o
efeito da radiação solar, da temperatura
(aquecimento ) e do decaimento natural dos microorganismos.
A figura 2 apresenta a distribuição das
alíquotas em cada ensaio realizado. Os recepientes
usados nesta fase consistem de unidades de base retangular,
com área de exposição constante,
confeccionadas em vidro transparente de 3 mm de espessura.
Para cada situação de qualidade de água o ensaio foi
realizado com recipientes de diferentes profundidades
e foi repetido várias vezes de modo que se pudesse
observar a eficácia do processo sob distintas condições
de nebulosidade. Da mesma forma que no subprojeto
1, algumas amostras expostas à radiação solar foram
mantidas sob temperatura de 20o C por sete dias, ao
longo dos quais foram realizadas análises bacteriológicas.
Com esse procedimento pretendeu-se avaliar a possibilidade
do recrescimento de microorganismos no caso de armazenamento
da água desinfetada.
As análises de qualidade da água, juntamente com os
dados de temperatura e radiação monitorados ao longo
de cada experimento, permitiram: (i) avaliar o efetivo
potencial biocida do processo de desinfecção solar
em condições locais; (ii) estimar os tempos de exposição
ao sol necessários para efetiva inativação de microorganismos,
considerada a condição de nebulosidade e qualidade
da água; (iii) estimar as doses (fluxo de energia)
necessárias para inativação sob condições distintas;
(iv) propor um protótipo de recipiente para uso na
desinfecção solar de água em domicílios da zona rural;
e, (v) propor projeto da unidade de desinfecção solar
em fluxo contínuo, que será avaliada na segunda fase
do projeto.
Na fase 2, foram realizados testes com uma unidade
de fluxo contínuo que foi projetada com base nos resultados
dos experimentos em batelada. O reator de fluxo contínuo
deve ser um dispositivo similar a um aquecedor solar,
porém confeccionado com componentes transparentes.
O reator é dotado de dispositivos para coleta
de amostra ao longo de sua extensão, podendo, assim,
ser simulados diferentes tempos de detenção em um
único experimento.
Universidade de Brasília-UnB
Departamento
de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia
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