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:: Instituição
A
Universidade do Espírito Santo foi criada em 1954 pela Lei
nº 806, contando atualmente com 8.000 alunos pela graduação
e 500 alunos de pós-graduação. Tem 1.100 professores, sendo
140 doutores, 70doutorndos e 400 mestres. Oferece 34 programas
de graduação, nove programas de mestrado e um de doutorado.
Em média, por ano, a UFES oferece 2.400 vagas em seu vestibular,
e são registrados na Pró-Reitoria de pesquisa e Pós-Graduação
300 projetos de pesquisa. O primeiro Programa de Pós-Graduação,
em Educação, foi criado em 1978, e em 1989 foi implantado
o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental.
O Departamento de Hidráulica e Saneamento (DHS) é uma unidade
ensino, vinculada ao Centro Tecnológico (CT) da UFES, contando
com 11 professores (7 Doutores e 4 Mestres). O DHS, além
das disciplinas ministradas para os cursos de graduação
(Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica
e de Computação, e Arquitetura), tem sob sua responsabilidade
o Curso de Mestrado em Engenharia Ambiental.
O início do Programa de Mestrado em Engenharia Ambiental
se deu em 1989; em 1990 incorporou-se ao Sistema Brasileiro
de Pós-Graduação. O programa conta atualmente com nove professores
permanentes, nove professores participantes e um professor
visitante, que obtiveram graus de doutoramento em instituições
nacionais e estrangeiras. A coordenação atual é composta
por: Prof. Ricardo Franci Gonçalves, D. Ing. (Toulouse,
França, 1993) (Coordenador) e Prof. Edmilson Costa Teixeira,
Ph.D. (Coordenador Adjunto).
A concentração das linhas de pesquisa em curso no PMEA se
dá nas áreas de tratamento de águas residuárias e lodos
e gestão de recursos hídricos. São realizadas no PMEA, com
o apoio do Laboratório de Saneamento (LABSAN), reformado
e reequipado pela Cia. Vale do Rio Doce. Este laboratório
tem capacidade para realizar caracterização físico-química
e microbiológica de águas, efluentes e lodos (inclusive
utilizando cromatografia em fase gasosa e espectrometria
por absorção atômica). Além do LABSAN, o PMEA dispõe do
apoio do Laboratório de Informática (INFOLAB) e do Laboratório
de Hidráulica (Hidrolab), capacitado para o estudo da eficiência
hidráulica de reatores utilizados no controle da poluição
e na potencialização de águas, hidrometria, hidráulica de
condutos livres e forçados.
O Programa tem convênios com diversas instituições, para
o desenvolvimento de pesquisas relacionadas com o seu objetivo:
Cia. Vale do Rio Doce - CVRD (controle das poluições hídricas
e atmosférica); Cia. Siderúrgica de Tubarão - CST (potencial
hídrico de mananciais, controle e risco da poluição hídrica
e atmosférica e reaproveitamento de efluentes); Cia. Espírito-Santense
de Saneamento - CESAN (remoção de nutrientes de esgotos
domésticos, desinfecção da água e processos simplificados
de tratamento de esgotos); ARACRUZ-CELULOSE (remoção de
cor dos efluentes industriais e reaproveitamento de resíduos);
SAMARCO MINERAÇÃO (remoção de algas e nitrificação do efluente
de lagoas de estabilização); FNS-ES (desinfecção de água,
tratamento anaeróbio/aeróbio de esgoto doméstico e regeneração
do potencial de coagulação de lodo de ETAs); Sindicato das
Indústrias do Vestuário da Cidade de Colatina - SINDIVESCO
(tratabilidade dos efluentes líquidos das lavanderias industriais);
Consórcio das Bacias Hidrográficas dos rios Sta. Maria da
Vitória e Jucú (gerenciamento de bacias/controle dos processos
de erosão e sedimentação); CESAN (polimento do efluente
de lagoas de estabilização, gestão do lodo de ETEs, tratamento
anaeróbio/aeróbio de esgoto doméstico); Empresa Capixaba
de Pesquisa Agropecuária - EMCAPA (valorização agrícola
de lodos de ETEs).
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Resumo do Projeto
O
projeto de pesquisa da UFES foi composto pelos dois subprojetos
descritos a seguir:
Subprojeto
1: Caracterização, técnicas de remoção e reciclagem agrícola
do lodo produzido em lagoas de estabilização.
Informações obtidas em diversas empresas e serviços autônomos
de saneamento indicam que pouquíssima importância é atribuída
ao lodo produzido nesse tipo de processo de tratamento
de esgotos. A pesquisa realizada pela UFES evidenciou
significativa estocagem de lodos nas lagoas anaeróbias
dos sistemas australianos operados pela Companhia Espírito
Santense de Saneamento (CESAN). Porém, as taxas de acumulação
de lodos nesses reatores (0,023 e 0,026 l/hab/dia), calculadas
com os dados experimentais levantados, foram muito inferiores
à maioria das taxas citadas na literatura. Altíssimas
concentrações de sólidos totais foram observadas no fundo
das lagoas anaeróbias, freqüentemente superiores a 22%.
Tais sólidos apresentam-se em avançado estado de mineralização,
com teores de sólidos fixos na faixa de 35% ST. Com vistas
à reciclagem agrícola do lodo de esgotos, a análise biológica
do lodo anaeróbio da lagoa de Eldourado indicou a presença
de três espécies de parasitas: Ascaris Lumbricoides, Trichuris
Trichiura e Hymenolepis Nana. Nos testes de reciclagem
agrícola com diferentes doses de lodo calado verificou-se
um aumento de 34%, 32%, 15% e 14% na produtividade do
milho para as doses de 15, 12, 9 e 6 T/ha de lodo calado
em relação à testemunha, indicando que o uso agrícola
desse insumo pode ser um importante auxiliar na elevação
da produtividade média desta cultura no Espírito Santo
e no Brasil.

Foto 1 -
Levantamento batimétrico para determinação
da camada de lodos da lagoa anaeróbia de Eldorado
- Município de Serra (ES)
Subprojeto
2: Utilização de coagulantes recuperados a partir de lodos
químicos de ETAs no tratamento de águas de abastecimento
e no tratamento de diferentes tipos de águas residuárias.
Trabalhando sobre lodos coletados em diversas ETAs de
municípios conveniados com a Fundação Nacional de Saúde,
o subprojeto 2 da UFES estudou a recuperação de coagulantes
para uso na própria ETA ou em ETEs. Observou-se que,
através de relações simples que associem as características
da água bruta (SS) à dosagem de coagulantes, aliando-se
a uma análise simplificada do lodo, pode-se inferir
não somente sobre a facilidade de desidratação, mas
também sobre a regenerabilidade dos coagulantes contidos
no lodo de ETAs. A caracterização química detalhada
do lodo pode fornecer subsídios para identificação do
mecanismo de coagulação predominante, mediante a estimativa
da quantidade de AI(OH)3 3H2O presente no lodo. O comportamento
dos lodos estudados sugerem que somente a fração do
lodo proveniente do mecanismo varredura é passível de
solubilização nas condições testadas. Os resultados
obtidos nos ensaios de reuso dos coagulantes regenerados
no tratamento de diversos efluentes indicam que o desempenho
do coagulante regenerado de lodos de ETAs é semelhante
ao do sulfato de alumínio comercial. O estudo de viabilidade
econômica da recuperação de coagulantes indica que,
no caso de ETAs para mais de 20.000 habitantes, a regeneração
de coagulantes e sua reutilização é economicamente viável.
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Gráfico
- Comparação entre a remoção
específica de DQO (mg de DQO/mg de sulfato) para
diversos efluentes domésticos e industriais utilizando-se
como coagulantes sulfato de alumínio comercial
e lodo de ETA regenerado.
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