Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Moda e sustentabilidade: empresa gaúcha desenvolve peças a partir do lixo e incentiva consumo consciente
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Como inovar no mercado da moda e ainda gerar impacto positivo? A Revoada, uma das 21 startups participantes do programa Mulheres Inovadoras, da Finep/MCTI, encontrou a resposta para esse desafio. Fundada em 2013 pela biodesigner Itiana Pasetti e pela comunicóloga Adriana Tubino, a empresa de Porto Alegre usa resíduos retirados do lixo comum como matéria prima sustentável para criar jaquetas, mochilas e acessórios sofisticados e de muita qualidade.

A ideia do empreendimento surgiu a partir de uma inquietação das próprias sócias: “Ficávamos abismadas com a quantidade de lixo que nós mesmas gerávamos, principalmente com aquilo que não era reciclável, porque infelizmente muito do nosso lixo não é e acaba indo para os aterros. Queríamos um negócio que nos fizesse feliz e que fosse uma motivação: empreender de forma sustentável, além de ter um trabalho prazeroso”, conta Itiana Pasetti.

Foram três anos de investigação e pesquisa para que as fundadoras descobrissem qual material usar na confecção de suas peças. Para criar brindes corporativos e acessórios, como carteiras, bolsas, mochilas e jaquetas, a Revoada utiliza câmera de pneu e náilon e tecidos de guarda-chuva, atendendo aos mercados B2B (comércio entre empresas) e B2C (destinado aos consumidores comuns). Para o mercado B2B, a startup ainda oferece serviços de consultoria de design vital e regenerativo, que aposta em processos não nocivos para a natureza, disseminando a cultura da Economia Circular no mundo da moda.

Mais do que desenvolver e vender produtos sustentáveis e incentivar o consumo consciente, a Revoada é um negócio de impacto positivo nos campos ambiental, social, cultural e econômico, uma vez que a empresa tem gerado renda para famílias de borracheiros, recicladores e costureiras. “Há um estigma de que, porque a matéria-prima veio do lixo, o produto tem que ser mais barato, mas é completamente o contrário: é muito trabalhoso sofisticar esse tipo de material. Tivemos que desenvolver toda uma cadeia de produção pensando na seleção e higienização desses resíduos para então confeccionar as peças. A grande questão é que um tecido virgem, por exemplo, demora muito tempo para se decompor, gerando danos para o meio ambiente. O nosso produto tem uma precificação justa e contribui significativamente para uma economia circular”, explica a co-fundadora da startup que, em sete anos, já reciclou 17 toneladas de câmaras de pneu e 16 mil unidades de náilon de guarda-chuva.

Para a biodesigner, o programa Mulheres Inovadoras foi uma experiência única na troca interdisciplinar com empresas de outros ramos: “Éramos a única de moda, as outras pertenciam às áreas agro e de tecnologia. O compartilhamento de diversos conhecimentos, através das mentorias e palestras, foi muito rico para nós”. A Revoada, que, em 2018, foi a vencedora da etapa brasileira e uma das 26 finalistas do Chivas Venture – competição global para empreendedores sociais –, é mais um exemplo de que, com apoio, ideias simples podem se transformar em empreendimentos de sucesso. Afinal, esta era a solução do desafio inicial: revoar no mundo dos negócios é transformar culturas.

Mulheres Inovadoras

O programa busca estimular startups lideradas por mulheres através da capacitação e do reconhecimento de empreendimentos inovadores e de base tecnológica. O objetivo do Mulheres Inovadoras é contribuir para alavancar a participação feminina no empreendedorismo e aumentar sua representatividade no cenário nacional, favorecendo o crescimento da competitividade brasileira.

A iniciativa surgiu a partir do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a Finep e a Prefeitura do município de São Paulo. Conta ainda com o apoio da RME – Rede Mulher Empreendedora, Adesampa e Founder Institute.