Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Empresa paulista inova ao desenvolver tecnologia capaz de restaurar o sistema imune e produzir memória contra tumores e infecções
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 imunotera

 

O maior receio de pacientes que adquiriram algum tumor ou infecção ao longo da vida é imaginar que a doença retorne. Ao pensar nisso, a ImunoTera, empresa sediada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia da Universidade de São Paulo (CIETEC-USP), desenvolveu imunoterapia capaz de restaurar funções do sistema imunológico e induzir uma resposta de memória contra um alvo específico. A startup foi uma das 21 instituições selecionadas no Programa Mulheres Inovadoras, da Finep/MCTI, e uma das cinco a receber o prêmio de R$ 100 mil.

Baseada em uma proteína recombinante de técnicas avançadas de edição de DNA e biologia molecular, a tecnologia se mostrou mais eficaz e duradoura do que outras já produzidas – justamente por evitar que tumores e contaminações voltem. Além disso, a imunoterapia que, por enquanto, foi testada apenas em animais, também apresentou eficiência no combate ao câncer induzido por HPV, nas fases pré-clínicas, em infecções de ZIKV, HIV e está sendo analisada contra o SARS-CoV-2 (vírus da Covid-19).

O resultado foi tão significativo que possibilitou a redução da dose de quimioterapia em um terço e, consequentemente, seus efeitos colaterais. Tudo acontece por meio de três mecanismos: o bloqueio, o direcionamento e a ativação. O primeiro bloqueia as vias supressoras do sistema imune, para que não haja a inibição das células T. O segundo, como diz o nome, conduz os alvos a chegarem à área de defesa do organismo. Por último, as células de proteção são ativadas e geram uma lembrança contra os antígenos de interesse. Atualmente, uma prova de conceito clínica é obtida em pacientes diagnosticados com lesões pré-cancerígenas, induzidas pelo HPV.

“A nossa vontade é transformar essa tecnologia em uma vacina terapêutica que possa ensinar o organismo, através da proteína, a ter uma memória imunológica contra esses agentes”, afirmou a co-fundadora da startup Luana Moraes. Criada em 2016 por três pesquisadoras da USP, a ImunoTera foi uma das vencedoras do Mulheres Inovadoras. Luana ressaltou que a parceria com a Finep, além de ter sido fundamental para a ampliação das redes de contatos, foi essencial para o financiamento de futuros projetos.

Mulheres Inovadoras

O programa busca estimular startups lideradas por mulheres através da capacitação e do reconhecimento de empreendimentos inovadores e de base tecnológica. O objetivo do Mulheres Inovadoras é contribuir para alavancar a participação feminina no empreendedorismo e aumentar sua representatividade no cenário nacional, favorecendo o crescimento da competitividade brasileira.

A iniciativa nasceu a partir do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a Finep e a Prefeitura do município de São Paulo; e conta com o apoio da RME – Rede Mulher Empreendedora, Adesampa e Founder Institute.