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Projeto viabiliza desenvolvimento de manual de segurança contra o fogo em favelas
A iniciativa de implantação de uma brigada de incêndio junto à comunidade de Vila Dalva, na região oeste de São Paulo, será documentada e multiplicada com apoio do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da FINEP. O projeto desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), em parceria com a prefeitura de São Paulo, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, entre outras instituições (veja abaixo), vai levar à organização de um manual de segurança contra incêndios em assentamentos urbanos precários. O objetivo é que o material seja utilizado para a implantação de brigadas em outras comunidades em condições semelhantes e ofereça referências para instituições públicas envolvidas com a habitação popular.

O desenvolvimento do manual vai contar com a experiência do Laboratório de Segurança ao Fogo, do IPT, que há 28 anos vem desenvolvendo trabalhos de prevenção e controle de incêndios. De acordo com o coordenador do projeto de elaboração da publicação, engenheiro José Carlos Tomina, o Programa de Segurança Contra Incêndio em Favelas traz uma mudança de paradigma quanto à atuação em casos de fogo. Diferente dos programas convencionais, sob responsabilidade de órgãos públicos, a iniciativa de Brigadas de Incêndio prevê a capacitação de pessoas da comunidade para atuar na prevenção e contenção dos acidentes.
 
Ampliando o projeto
 
Os resultados positivos alcançados pelo programa piloto implantado em Vila Dalva, em 2003, levaram a prefeitura do município de São Paulo a replicar a iniciativa em quatro comunidades numa primeira etapa. Mas já há o projeto para implantação de brigadas em outras 31 localidades. O desenvolvimento do manual também dará suporte a esse processo. O projeto da publicação está em fase de sistematização e avaliação das experiências nas comunidades de Vila Dalva e Jardim Jaqueline (ambas na zona oeste), Maria Cursi (zona leste), Jardim Cabuçu (zona norte), Viela da Paz (zona sul), e Cortiço, localizado na Rua Sólon (centro de São Paulo). A meta é a disseminação dos conhecimentos adquiridos, de forma revisada e ampliada, para subsidiar futuras iniciativas. A metodologia usada para a implementação dos programas e o material didático para o treinamento dos brigadistas serão usados para o desenvolvimento do manual. O lançamento está previsto para 2006.
 
A experiência em Vila Dalva
 
A brigada de incêndio implantada em Vila Dalva está habilitada e equipada para atuar 24 horas por dia. A equipe é composta por 65 pessoas, organizadas em dois grupos. Um deles é responsável pelas situações de emergência que ocorrerem durante o dia e o outro pelas emergências da noite. Cada brigadista possui dois extintores de incêndio adequados para qualquer tipo de fogo e equipamentos de proteção individual – capa de tecido antichama, óculos de proteção, luvas, capacete e botas. Todos atuam como voluntários. “Esse é um dos pressupostos para a escolha do aluno, ter a consciência e a vocação para a doação do seu tempo em prol da comunidade à qual pertence”, explica Christiane Nista, psicóloga responsável pelo Núcleo de Responsabilidade Social Corporativa do IPT, que integra o trabalho de implantação das brigadas.
 
Etapas
 
A iniciativa em Vila Dalva é resultado do Programa de Segurança Contra Incêndio em Favelas, oferecido à cidade de São Paulo, no seu 449° aniversário, pelo IPT. A partir desse programa foram estabelecidos dois conjuntos de medidas de segurança. Um deles relacionado à prevenção e outro à proteção contra incêndio. A implantação passou por diversas etapas. Num primeiro momento foi realizado um processo de negociação, para estruturação e apresentação da proposta à Subprefeitura do Butantã, e escolha do assentamento em que seria implantado. Depois houve uma etapa de sensibilização, em que o programa foi apresentado à comunidade de Vila Dalva para confirmação do interesse. Foi realizada uma vistoria no local e avaliação das condições de risco, além de iniciarem as articulações com entidades que poderiam contribuir para o desenvolvimento do programa.

O IPT foi também responsável pela etapa de treinamento dos brigadistas e educação dos moradores. Para isso foi realizado um curso para formação da Brigada de Incêndio de Vila Dalva, a partir de aulas teóricas e práticas. Foram ministradas seis aulas, com instrutores do Corpo de Bombeiros, da Ultragás, da Defesa Civil Municipal, do Grupamento de Resgate Civil, da Associação dos Fabricantes de Equipamentos de Incêndio (Abiex) e do próprio IPT. Nas aulas foram contemplados temas como cuidados no uso de botijão de gás, com atitudes potencialmente causadoras de incêndio, primeiros socorros, teoria de incêndio e práticas de combate, com geração de incêndios simulados. Os moradores foram capacitados para tornarem-se multiplicadores, auxiliando na orientação e formação de uma cultura de prevenção na comunidade. A metodologia e o material didático foram desenvolvidos tendo como referência a norma técnica NBR – 17.246 (Programa de Brigada de Incêndio). Foi também realizado o mapeamento da distribuição dos brigadistas na comunidade, utilizando como ferramenta o Sistema Integrado de Gestão (SIG).

A manutenção e aprimoramento da atuação da Brigada de Incêndio está em andamento por meio de um plano de sustentabilidade. São realizadas reuniões mensais para discussão de casos e reciclagem de conhecimentos, além de apresentação do relato das ocorrências, manutenção dos equipamentos utilizados, discussão e implantação das estratégias de conscientização da comunidade para prevenção de incêndio. A idéia é que o plano de sustentabilidade gere condições para que os próprios brigadistas possam gerenciar o Programa de Segurança Contra Incêndios em Vila Dalva.
 
Acidentes
 
Dados do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo revelam a dimensão do problema relacionado a incêndios em áreas de assentamentos e a importância do trabalho de prevenção e formação das brigadas de moradores. São registrados, em média, 800 incêndios por ano em São Paulo. Em 2002, foram registradas 756 ocorrências e, até março de 2003, outras 130 ocorrências provocaram danos materiais e humanos. Os dados são agravados pelo crescimento exponencial de assentamentos: 30,15% de 1991 a 2000, passando de 891 mil habitantes para 1.160. Só na cidade de São Paulo o número de núcleos subiu de 1975 para 2001. “Especialmente nestes locais os incêndios são sempre catastróficos, gerando altos custos sociais e financeiros que vão desde as perdas humanas e materiais das vítimas até o custo para o poder público”, ressalta o engenheiro José Carlos Tomina, também responsável pelo Centro de Tecnológico do Ambiente Construído do IPT.

Ainda não há levantamentos estatísticos que mostrem a redução dos incêndios em Vila Dalva. No entanto, o acompanhamento das ocorrências mostra um preparo muito maior da comunidade para lidar com os acidentes. “Outro aspecto importante foi a criação na comunidade de uma cultura de prevenção, por meio da qual os moradores passaram a se preocupar em evitar atitudes ou atividades potencialmente geradoras de incêndios, avaliar seus próprios riscos e propor medidas corretivas para tais eventos”, avalia a psicóloga Christiane Nista.
Considerando a diversidade das características dos assentamentos urbanos precários nas várias regiões do país, o projeto financiado pelo Programa Habitare vai permitir que seja realizada uma pesquisa complementar. O objetivo é conhecer outras comunidades e adequar a metodologia para garantir sua maior aplicabilidade, levando em consideração as peculiaridades regionais.
 
MAIS INFORMAÇÕES:
José Carlos Tomina
Engenheiro Civil responsável pelo Agrupamento de Instalações, Saneamento Ambiental e Segurança ao Fogo do IPT
E-mail: tomina@ipt.br
Fone: tel: 11 3767- 4587
 
Christiane Nista
Psicóloga responsável pela área de Responsabilidade Social Corporativa do IPT
E-mail: cnista@ipt.br
Fone: 11 3767-4577
 
Saiba mais sobre os parceiros
 
Atualmente quase 30 instituições são parceiras no desenvolvimento do projeto de implantação de brigadas de incêndio nas comunidades. Entre elas:
 
 - Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, com papel de instrutores do treinamento.
 - Prefeitura Municipal de São Paulo (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com papel de instrutores do treinamento.
 - Associação Brasileira de Normas Técnicas (Abnt) e Sindicato dos Fabricantes de Equipamentos de Segurança contra Incêndio.
 - Centro Comunitário Favela Vila Dalva, como beneficiária do programa.
 - Associação Grupamento de Resgate Civil, com papel de instrutores do treinamento.
- Ultragás S.A., com o papel de instrutores e doação de insumos e dispositivo de treinamento movido a gás.
 - Luvamac Equipamentos de Segurança Ltda., com a doação das luvas de proteção.
- Bracol, com a doação das botas.
 - Duráveis Equipamentos de Segurança Ltda., com a doação dos óculos de proteção.
- Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos contra Incêndio e Cilindros de Alta Pressão (Abiex), com papel de instrutores e a doação dos extintores, sua reposição e manutenção.
 - M.S.A. do Brasil – Equipamentos e Instrumentos de Segurança Ltda., com a doação dos capacetes. - I.C. LEAL - Equipamentos de Proteção Individual, Elétrica e Uniformes, com a doação das capas de tecido antichama.
 - Associação Resgate Civil Voluntário, com papel de instrutores do treinamento.

(9/3/2005)

links:

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