Das 27 empresas e 14 instituições ligadas à área de CT&I que participam da Expo Brasil Sustentável, boa parte procurou levar para o Píer Mauá soluções sustentáveis para problemas comuns do cotidiano das cidades. Placas de material biodegradável, bioplásticos e alternativas para a construção civil são alguns dos destaques da mostra, que acontece até o dia 21 de junho no Armazém 3 da Zona Portuária do Rio.
A empresa Embafort, de Curitiba, trouxe para a exposição o conceito de casa ecológica, já utilizado em outros países, como Chile e Estados Unidos. A estrutura da casa é formada por placas de madeira prensada e isopor de alta densidade, que dispensam o uso de vigas ou colunas. O sistema SIP – Structural Insulated Panel – é totalmente reciclável, resistente e reduz o entulho gerado durante a obra. Segundo o diretor da Embafort, Humberto Cabral, a casa ecológica é ideal para habitações voltadas para as classes D e E. “O custo é 20% menor e a casa é de fácil montagem. Pode ser usada, por exemplo, para políticas públicas de desfavelização”, explica. A madeira utilizada pela empresa é certificada e, consequentemente, gera créditos de carbono. A empresa Embafort atua há 16 anos no mercado como fabricante de embalagens de madeira para exportação. Pelo projeto de casas ecológicas, a empresa já foi vencedora do Prêmio FINEP em 2006. Três protótipos foram montados com o apoio da Financiadora e o próximo passo é a construção de 26 casas na região de Curitiba.
Também no ramo da construção civil, a empresa Impacto Protensão, de Fortaleza, reaproveita plásticos danificados para a confecção de placas estruturais, como alternativa à madeira. O material se transforma em casas, escritórios, banheiros, salas de aula, postos de saúde, canteiros de obras e outras estruturas de prédios. A empresa também é responsável pela construção do Hotel Vale das Nuvens, na cidade de Guaramiranga (CE), a primeira unidade hoteleira feita com placas de plástico reciclado do mundo. Por este e outros projetos, a Impacto Protensão foi ganhadora em duas categorias do Prêmio FINEP em 2011, como empresa média e inventor inovador na Região Nordeste. Com miniaturas que simulam a construção das casas de plástico, o estande foi um dos mais visitados pelas crianças durante o final de semana.
Já o espaço da empresa Biomater, de São Carlos (SP), apresenta uma solução para outro grande problema das cidades: o uso desenfreado de plástico. A empresa desenvolve bioplásticos a base de resíduos agroindustriais, como fibras de sisal, babaçu, mandioca, milho e batata. Segundo informações do diretor técnico da empresa, João Carlos Godoy, o amido presente no material orgânico é um polímero natural que, por meio de processos químicos, se transforma em termoplástico. Biodegradável, o bioplástico pode ser reciclado por meio da compostagem, que decompõe o material em adubo. Os principais produtos da Biomater são as sacolas para o armazenamento de lixo orgânico e embalagens de alimentos e cosméticos. Em atividade desde 2005, a Biomater nasceu de uma incubadora de empresas e hoje já produz bioplástico em escala industrial.
Na entrada da Expo Brasil Sustentável, a empresa Fibratom mostra uma ideia paisagística para aumentar a presença do verde nas cidades: um painel de plantas feito com fibra de coco prensada. Batizado de Favo Verde, o produto tem o formato de colmeia e fixa as mudas no sentido vertical, formando verdadeiros tapetes verdes. As plantas podem ser cultivadas em espaços tipicamente urbanos, como paredes, muros e salas fechadas, e irrigadas facilmente com o auxílio de sprays e mangueiras. A empresa, original de Alagoas, recebeu apoio da FINEP e se prepara para a produção em escala industrial até o final de 2012.