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Primeira República (1889-1930) é tema da série Debate FINEP


Alzira de Abreu, coordenadora do Dicionário da Primeira República. (Foto: Rogério Rangel/FINEP)

Um período marcado pela riqueza de ideias, criatividade institucional e cultural, e ampla da participação da imprensa. A Primeira República (1889 – 1930) foi tema do Debate FINEP que ocorreu na quinta-feira (31/05). No evento, a pesquisadora Alzira de Abreu, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou detalhes do Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República, que recebeu R$ 415 mil da FINEP. São cerca de 2.300 verbetes biográficos e temáticos que nos levam a uma época cujos detalhes e importância ainda não foram completamente explorados pelos livros de História. “Houve a equivocada construção de uma visão negativa sobre estes 40 primeiros anos”, disse Alzira.

A pesquisadora afirma que o Dicionário é um painel informativo sobre um período fundamental para o que definiu como "construção da nacionalidade brasileira". Para exemplicar sua teoria, Alzira citou as eleições diretas para presidente que marcaram os quase 40 anos da Primeira República, a ampla participação da imprensa nos debates sociais e políticos (foram mais de 200 jornais ao longo do período e 300 periódicos operários), a solução de imbróglios territoriais com países vizinhos, a modernização arquitetônica a partir da comemoração do centenário da Independência do Brasil e a Semana de Arte Moderna, ambas em 1922, e as organizações sindicais, entre outras conquistas.

Ex-presidentes como Marechal Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais e Hermes da Fonseca têm reservados espaços de destaque, mas alguns nomes sem direta relação com a política também figuram entre os retratados. “É impossível pensar em um projeto nestes moldes sem falarmos, por exemplo, de Santos Dumont, que era uma figura internacional no início do século XX”, explica a pesquisadora.

O “Pai da Aviação” terá a companhia do médico Oswaldo Cruz, cuja atuação no combate à varíola e à peste bubônica, em 1904, repercute até hoje. Ao lado do prefeito carioca Pereira Passos, que orquestrou a controversa política de urbanização conhecida como “Bota-abaixo”, o sanitarista  convenceu Rodrigues Alves, então presidente da República, a vacinar toda a população. A Lei Obrigatória da Vacina culminou em grande insurreição popular na cidade do Rio de Janeiro, que ficou conhecida como “Revolta da Vacina”.

Na época, os periódicos já recorriam a charges e caricaturas para sintetizar os acontecimentos da nascente  República, quase sempre em tom crítico. “A Revolta da Vacina, por exemplo, rendeu capa ilustrada bastante irônica na Revista da  Semana”, conta Alzira, que vai atrás de caricaturas veiculadas nas páginas de “O malho”, “Fon-fon”, “Careta”, “Revista da Semana” e “Jornal do Brasil”, entre outras publicações.

Para auxiliá-la na criação dos próximos verbetes, foi  convocado um time de 10 pesquisadores free-lancers. Especialistas em temas importantes do período foram incorporados à equipe. Alzira ressalta que encontrou poucas dificuldades para a confecção do projeto. "Trabalhamos com fatos sedimentados e personagens que já faleceram, o que elimina a possibilidade de alguns pesquisadores impregnarem verbetes com ideologias pessoais", finalizou.

O dicionário está previsto para ser lançado ainda este ano. A ideia é que a obra seja lançada em papel e também na versão online.

Veja aqui matéria completa sobre o Dicionário, publicada na edição 3 da Revista Inovação em Pauta.


(30/5/2012)


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