Até pouco tempo desconhecido no Brasil, o conceito de investimento anjo vem conquistando espaço. Geralmente, está relacionado a profissionais com ampla experiência de mercado ou empreendedores que já venderam suas empresas e estão em busca de novas oportunidades de investimento. Todas as nuances dessa modalidade de injeção financeira em novos negócios estão reunidas no livro “Investidor-Anjo – Guia prático para empreendedores e investidores” (nVersos Editora), de autoria de Cassio Spina, lançado na quarta-feira, 11/04, no Espaço Cultural FINEP.
Formado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Spina é empreendedor há 25 anos e hoje atua em tempo integral como investidor anjo por intermédio da Anjos do Brasil, entidade criada para fomentar o aporte proveniente de pessoas físicas. De acordo com ele, o cenário brasileiro atual aponta para 5300 anjos e aproximadamente R$ 450 milhões investidos.
Os números ainda são considerados baixos – sobretudo se comparados aos quase 320 mil investidores pessoas físicas que já aplicam em torno R$ 20 bilhões em startups norte-americanas anualmente – mas ele afirma que é nítida a ascensão da prática por aqui. “Temos potencial para alavancar 50 mil anjos, que poderiam aplicar cerca de R$ 5 bilhões em 11 mil empresas por ano”, afirma.
Atuando sozinhos ou unidos a outros anjos nas chamadas associações ou redes de anjos, os novos investidores buscam participação em projetos com alto potencial de valorização e retorno, mas que devido ao estágio de desenvolvimento das empresas também apresentam riscos consideráveis. “Nosso objetivo é incentivar esta formação de grupos/redes regionais de anjos também por aqui”, diz Spina.
A gigante Google nasceu com recursos de anjos. Aqui no Brasil, Buscapé e Bematech decolaram pelo mesmo caminho. De olho nesse crescimento, a FINEP vem promovendo workshops para sensibilizar possíveis novos investidores. O objetivo é fornecer um conjunto mínimo de conhecimentos e ferramentas necessárias para a prospecção, negociação e legalização de investimentos em empresas nascentes.
Esta nova ação do INOVAR – iniciativa capitaneada pela Financiadora na área de Venture Capital – agora faz parte do processo de elaboração dos fóruns de capital semente (Seed Forum). “Nossos analistas orientam todos aqueles interessados em investir nessas novas companhias com alto potencial de crescimento e retorno”, explica Patrícia Freitas, superintendente da Área de Investimento da FINEP.
Desde 2000, a FINEP, via INOVAR, já realizou 36 fóruns (Venture e Seed fóruns), tendo capacitado e apresentado para os investidores cerca de 320 empresas. Aproximadamente 20% desses empreendimentos foram investidos após os fóruns. Desses 35 eventos, 11 foram Seed fóruns, que possibilitaram investimento em 15 pequenos negócios inovadores. O próximo Seed Forum vai acontecer no dia 24 de maio, em Porto Alegre (RS).