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Sistema de combate à dengue apoiado pela FINEP ganha prêmio mundial de tecnologia em saúde
A mineira ECOVEC, de Belo Horizonte, é a primeira empresa brasileira selecionada entre os cinco nomeados que receberão, dia 15 de novembro, em San Jose, no Vale do Silício (Califórnia), a premiação do Tech Museum Awards 2006 na área de saúde. Um júri composto por sete especialistas em saúde pública, medicina e biotecnologia apontou o M.I. Dengue - Monitoramento Inteligente da dengue, sistema inovador de prevenção à doença, da ECOVEC, “como o melhor dos melhores” em inovação tecnológica a serviço da humanidade entre os 280 trabalhos de 58 países inscritos no prêmio da área de saúde.
 
O sistema combina o monitoramento do Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da dengue, em tempo real, mediante o uso de palms tops, softwares e armadilhas para captura das fêmeas em idade adulta. Seu custo é 90% menor que o sistema de monitoramento das larvas do Aedes usado por vários países, inclusive o Brasil.
 
O prêmio da ECOVEC será recebido pelo professor Álvaro Eiras, pesquisador do Laboratório de Culicídeos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que, em 2003, desenvolveu o M.I. Dengue. Graças ao apoio financeiro da FINEP, CNPq, Sebrae e Fapemig para o desenvolvimento da tecnologia, o sistema transformou-se num projeto viável, com grandes vantagens de custo e eficiência em relação aos métodos tradicionais. A ECOVEC já fornece o serviço a prefeituras do Brasil e à Austrália.
 
Solução Tecnológica
 
O M.I. Dengue vem sendo usado no Brasil pelas prefeituras de Frutal (MG) e Congonhas (MG), com excelentes resultados. Está sendo testado pela Prefeitura de Vitória (ES), até 25 de novembro, e também é objeto de tese de doutorado da pesquisadora Nildimar Honório, da Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e a Funasa. Iniciado em setembro, o estudo, com duração de 18 meses, prevê a aplicação do M.I. Dengue nos bairros cariocas da Ilha do Governador, Higienópolis e Vargem Pequena.
 
É um sistema de informação tecnológica criado especialmente para a prevenção e o monitoramento dos focos do mosquito em bases semanais. O único caminho para evitar a Dengue é o combate ao seu vetor. O mosquito se movimenta e prolifera rapidamente em áreas urbanas. Por isso, o combate precisa ser rápido e eficiente.
 
O sistema consiste na união de três inovações tecnológicas: MosquiTrap uma armadilha desenvolvida para capturar as fêmeas grávidas do Aedes; o AtrAedes, um feromônio sintético desenvolvido nos laboratórios da UFMG para atrair as fêmeas do mosquito; e o Geo-Dengue software, criado para realizar a transmissão, em tempo real, das informações de campo colhidas pelos pesquisadores.
 
Após o levantamento da área a ser monitorada e da geração de mapa georeferenciado, os MosquiTraps e os AtrAedes são instalados nas áreas de maior incidência do mosquito. Através de palmtops, software de monitoramento e treinamento da equipe, é feito o acompanhamento semanal do processo, com o registro contínuo do número de mosquitos capturados em cada armadilha, durante as 52 semanas do ciclo de infestação da dengue.

Os dados são transferidos à ECOVEC por PDAs e telefones celulares para serem processados. Mapas e gráficos são gerados ao longo de 24 horas e publicados em sites com acesso permanente das autoridades locais de saúde. A rapidez e a precisão das informações na identificação das áreas com maior presença do mosquito permitem aos Gestores de Saúde e Vigilância Entomológica e Epidemiológica direcionarem as ações de controle de forma cada vez mais eficaz, além de acompanhar os resultados obtidos através de mapas, gráficos e índices entomológicos detalhados de toda a área.
 
O M.I. Dengue substitui o ultrapassado método de acompanhamento e monitoramento do problema mediante uso de caneta e papel para anotação de dados. Com a rapidez e facilidade de identificação dos locais infestados, há uma economia extraordinária de trabalho, com redução de tempo e despesas. A tecnologia é 90% mais econômica que o sistema de monitoramento das larvas utilizados em muitos países, o que permite a realização de 52 levantamentos/ano por meio do sistema M.I. Dengue em comparação ao tradicional método de monitoramento das larvas, limitado a quatro/seis levantamentos por ano. Atende à maioria dos itens da Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde, elaborado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, divulgada em março de 2004. Já foi submetido a testes em dez municípios brasileiros e possui amplo reconhecimento técnico e acadêmico, agora consolidado pela concessão do Tech Museum Award 2006.
 
O Prêmio
 
Criado em 2000, pelo Tech Museum of Innovation, o Tech Museum Award é um prêmio destinado a pessoas, empresas e organizações não-governamentais (ONGs) em todo o mundo que estão aplicando tecnologias destinadas a melhorar as condições humanas de forma significativa nas áreas de meio ambiente, desenvolvimento econômico, educação, igualdade social e saúde. Na noite da entrega dos prêmios, uma única empresa será eleita a grande ganhadora de 2006.
 
Um júri, composto por sete especialistas em saúde pública, medicina e biotecnologia, apontou a ECOVEC “como o melhor dos melhores” em inovação tecnológica a serviço da humanidade entre os cinco selecionados dentre 280 trabalhos de 58 países inscritos no prêmio da área de Saúde, que conta com patrocínio da Agilent Technologies Foundation. Os demais são a PointCare Technologies, dos Estados Unidos; a Sumitomo Chemical Company, do Japão; e duas ONGs dos EUA e da Grã Bretanha, por projetos assistenciais.
 
Além da ECOVEC, o Brasil será representado na categoria igualdade social pela ONG Comunidades Catalisadoras (ComCat), da Cidade de Deus, no município do Rio de Janeiro, que oferece um bureau de computadores para organizações comunitárias elaborarem projetos sociais. Bill Gates, o fundador da Microsoft, será o grande homenageado da edição deste ano, recebendo o prêmio global humanitário James C. Morgan 2006 por sua ajuda filantrópica a projetos sociais em todo o mundo.
 
Dengue, flagelo para 100 milhões de pessoas em 100 países
 
A prevenção é o mais preciso, econômico e eficiente método de combate à Dengue, febre humana transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, principalmente diante de recentes alertas para a possibilidade de um novo surto da doença em 2007. Considerada pela Organização Mundial de Saúde um dos maiores problemas em todo o mundo, a doença afeta anualmente de 50 milhões a 100 milhões de pessoas em 100 países pobres, situados principalmente nas áreas tropicais.
 
Levantamento do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde, indica que o tratamento da dengue custa R$ 250 per capita. Em caso de internação, a despesa chega a R$ 3.500. Em 2002, cerca de 800 mil brasileiros foram vítimas da Dengue. O surto foi tão violento que os planos privados de saúde reivindicaram (e obtiveram) reajuste de 10% na mensalidade dos segurados para arcar com os custos.
 
Mais informações:
Gustavo Junqueira - diretor da ECOVEC
(31) 3284-1007
Álvaro Eiras - pesquisadorda UFMG
(31) 9135-9301
 
Assessoria de Imprensa
Paula Guatimosim - Mediação Imprensa e Comunicação
(21) 2553-3353 / 2552-0409





(30/10/2006)
 
     
 
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