Brasil Inovador
Manual de Oslo - Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados Sobre Inovação
   
   
 

4. Estimativa dos resultados

4.1 Métodos de ponderação

460. Os resultados das pesquisas por amostragem precisam ser ponderados para se obter informações que sejam representativas para a população alvo. Existem vários métodos para ponderar os resultados amostrais. O mais simples consiste na ponderação pelo inverso das frações amostrais das unidades da amostra, corrigida pelas unidades que não responderam. Se é usada uma técnica de amostragem estratificada com frações amostrais diferentes, os pesos devem ser calculados individualmente para cada estrato.

461. Os pesos podem ser refinados posteriormente pela calibragem se a população de inferência inclui algumas informações quantitativas e qualitativas sobre todas as unidades, como o número de empregados, o faturmento, a condição legal ou a região. A calibragem irá assegurar que a amostra ponderada resuma a população total ou a distribuição e assim a precisão aumenta e o viés diminui. Os softwares de calibragem efetiva, particularmente o CLAN do Statistics Sweden, o CALMAR do INSEE (França) e o CALJACK do Statistics Canada, estão disponíveis para uso por outros países.

462. Os pesos são mais comumente baseados no número de empresas em um estrato. Porém, para as variáveis quantitativas pode ser útil ponderar os resultados pelo número de empregados ou pelo faturamento. Em comparações internacionais e em outras comparações é importante assegurar que é usado o mesmo método de ponderação.

4.2 Não resposta

463. Na prática, as respostas às pesquisas sobre inovação são sempre incompletas, qualquer que seja o método utilizado. Dois tipos de valores ausentes podem ser identificados: as não respostas por item e por unidade. A não resposta por unidade significa que a unidade investigada simplesmente não respondeu. As razões possíveis são, por exemplo, a impossibilidade de contato entre o instituto que realiza a análise e a unidade a ser analisada ou a recusa em responder por parte da unidade a ser analisada. Por sua vez, a não resposta por item refere-se à taxa de resposta a uma questão específica e é igual à porcentagem de respostas em branco ou ausentes das unidades em estudo. As taxas de não resposta por item são freqüentemente maiores para as questões quantitativas do que para as questões que usam categorias de respostas binárias ou ordinais.

464. As não respostas por item e por unidade seriam um problema menor se os valores faltantes fossem distribuídos aleatoriamente entre todas as unidades da amostra e entre todas as questões. Na realidade, porém, os dois tipos de valores faltantes podem estar viesados no que diz respeito a certas características da população e do questionário.

465. Desconsiderar os valores ausentes e aplicar os procedimentos simples de ponderação baseados apenas nas respostas recebidas assume implicitamente que os não respondentes estão distribuídos da mesma forma que os respondentes. Se os não respondentes não seguem a mesma distribuição, por exemplo se as unidades não respondentes têm uma propensão a inovar mais baixa, essa prática conduzirá a resultados viesados.

466. Diversos métodos podem ser usados para minimizar os problemas da não resposta. Como diferentes métodos podem conduzir a diferentes resultados, algumas diretrizes gerais devem ser seguidas. Uma primeira etapa apropriada para lidar com os valores ausentes é contatar o respondente para coletar a informação faltante.

467. Por razões práticas e teóricas, uma forma de minimizar o problema da não resposta por item é usar métodos de imputação de valores para estimar os valores ausentes com base em informações adicionais. A idéia é que o uso da informação adicional permitirá estimativas mais acuradas dos valores ausentes em vez de simplesmente usar o valor médio observado e minimizará o viés da não resposta.

468. Entre os métodos de imputação de valores, as técnicas cold-deck podem ser empregadas primeiro. Elas consistem na estimação da informação faltante a partir de dados de outras pesquisas estatísticas (inclusive pesquisas anteriores) ou de outras fontes relacionadas. Para qualquer valor ausente que persista, as pesquisas podem considerar os métodos hot-deck. Esses métodos cobrem uma grande variedade de opções, como a substituição dos valores ausentes para cada variável pela média dos estratos, prevendo o valor por meio de técnicas de regressão, ou por meio das técnicas do vizinho mais próximo em que os valores ausentes são substituídos pelos valores da unidade mais parecidos com os de outras variáveis relevantes. A decisão sobre o métodos hot-deck mais apropriado deve também basear-se no tipo de variável (quantitativa ou qualitativa).

469. A escolha do método de tratamento do problema de não resposta por unidade dependerá do nível de não resposta. Se a taxa de não resposta é realmente baixa30, a ponderação deve ser calculada com base nas unidades que responderam. Esse procedimento assume que o comportamento inovador das unidades respondentes e não respondentes é idêntico. Essa hipótese pode ser testada por meio de uma análise de não resposta. Mesmo que essa suposição seja incorreta, o viés introduzido pode ser desconsiderado se a fração de unidades não respondentes for muito pequena.

470. Por outro lado, se a taxa de não resposta por unidade for muito alta, nenhum método pode ser recomendado para resolver o problema. Nesse caso os resultados da pesquisa sobre inovação podem apenas ser usados como estudos de caso. Não se deve tirar nenhuma conclusão sobre a população alvo, pois o viés pode ser grande demais.

471. Em todos os outros casos, isto é, quando a taxa de não resposta por unidade estiver acima de um limite inferior mas abaixo de um limite superior, algumas técnicas um pouco mais complicadas e em alguma medida mais dispendiosas podem ser usadas. Uma delas é selecionar as unidades que responderam aleatoriamente até que a taxa de resposta seja de 100%, isto é, usar os resultados de unidades aleatoriamente selecionadas duas ou mais vezes.

472. Outros métodos baseiam-se nos resultados de uma análise de não respostas. O objetivo das análises de não respostas é obter informações sobre por que as unidades participantes não responderam. As unidades não respondentes devem ser contatadas por telefone ou por correio eletrônico (usando-se um questionário muito simples, que não exceda uma página) para que forneçam informações gerais como o setor de atividades em que atuam e seu tamanho (se não estiverem disponíveis em outras fontes), o motivo pelo qual elas não responderam. Deve-se pedir às empresas para responder algumas questões-chave na pesquisa original para verificar se os resultados estão viesados. Essas informações podem então ser usadas para ajustar os pesos. Os resultados das análises de não resposta devem ser usados apenas se a taxa de resposta for muito alta.

   
 

30 É difícil, se não impossível, definir quando uma taxa de não resposta por unidade é considerada alta ou baixa. Entretanto, sabe-se que quanto maior for a taxa de não resposta, mais baixa será a comparabilidade dos resultados das pesquisas sobre inovação. (Ir para o texto)