Brasil Inovador
Manual de Oslo - Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados Sobre Inovação
   
   
 

2. Difusão intra-fronteiras

262. A difusão é a propagação das inovações, por meio de canais mercadológicos ou não, a partir de sua primeira implementação em direção a outros países e regiões, e a outros mercados e empresas. O processo de difusão em geral envolve mais do que a mera adoção de conhecimentos e de tecnologias, pois as empresas que adotam a inovação aprendem e desenvolvem o conhecimento e a tecnologia novos. Por meio do processo de difusão, as inovações podem mudar e fornecer respostas para o inovador original.

263. Identificar como as transferências de conhecimentos e de tecnologia ocorrem, o que as principais fontes de fluxos de conhecimentos e de tecnologias são para as empresas, e quais dessas fontes possuem maior relevância são tarefas centrais para compreender as interações no processo de inovação. O resultado é o melhor entendimento dos processos de difusão e a possibilidade de mapear as interações e os fluxos de conhecimentos, com relevância direta para políticas de inovação. Por exemplo, será que o foco da política deve estar sobre a promoção de cooperação ativa e, neste caso, que tipos de parceiros são mais importantes? Ou, os fluxos de conhecimentos e de tecnologias são mais importantes quando decorrentes de redes e de outros arranjos informais que não envolvem a cooperação ativa?

264. Esta seção discute três tipos de interações ou fluxos de conhecimentos e tecnologias para empresas: fontes de informação abertas, que não envolvem compras de conhecimento e tecnologia nem interação com a fonte; compras ou aquisição de conhecimentos e tecnologia; e inovação cooperativa.

2.1 Tipos de interações

265. As fontes de informação abertas oferecem acesso a conhecimentos sem a necessidade de pagamento pelo conhecimento em si, embora seja possível haver remunerações marginais pelo acesso (filiação a associações de comércio, participação em conferências, assinaturas de jornais). As fontes de informação abertas não dão acesso ao conhecimento incorporado em máquinas ou equipamentos ou ao direito de uso do conhecimento protegido por patentes e outras formas de propriedade intelectual, embora o conhecimento relativo a uma patente possa ser acessado em bases de dados. Algumas fontes abertas, como a participação em feiras e exposições, podem oferecer acesso a alguns conhecimentos tácitos por meio de interações pessoais com outros participantes.

266. O conhecimento codificado pode assumir várias formas, tais como artigos publicados, padrões, metrologia (métodos de mensuração de itens como fluxos de líquidos ou gás, tempo, poluentes químicos etc.), conhecimentos adquiridos de redes, relacionamento de mercado com fornecedores, ou feiras de comércio.

267. Algumas informações, como as respostas de clientes ou fornecedores, podem ser muito fáceis de usar. Pode ser mais difícil, dependendo das capacitações dos empregados, usar outras informações, por exemplo das universidades. Um desafio adicional para o uso de fontes de informação é localizá-las. As empresas podem ter conhecimentos limitados sobre as fontes potenciais de informação. Os dados sobre fontes de informação podem auxiliar o delineamento de iniciativas de políticas para treinamento, a melhoria nas potencialidades em TIC e o estabelecimento de redes e de serviços de suporte.

268. As redes de conhecimentos facilitam a troca de informações tecnológicas e comerciais. As redes informais tendem a basear-se em contatos pessoais ou em "comunidades de práticos", ou simplesmente surgem no curso normal dos negócios. As redes formais ou coordenadas podem ser orientadas por organizações de negócios como as câmaras de comércio, associações de pesquisa, companhias de serviços tecnológicos, consultores, universidades, organizações públicas de pesquisa ou patrocinadas por recursos de governos locais, regionais ou centrais.

269. A aquisição de tecnologia e de conhecimentos envolve a compra de conhecimentos e tecnologias externos. sem cooperação ativa com a fonte. Esse conhecimento externo pode estar materializado em máquinas ou equipamentos que o incorporam. Pode-se também incluir a contratação de empregados que possuem o novo conhecimento, ou o uso de pesquisas contratadas e de serviços de consultoria. A tecnologia ou o conhecimento desincorporados também incluem outras formas de know-how, patentes, licenças, marcas registradas e softwares.

270. Os dados sobre as fontes de aquisições oferecem informações sobre os fluxos de conhecimentos e de tecnologia e sobre onde (em termos de regiões, indústrias) essas aquisições prevalecem. Identificar a importância das compras de conhecimento e de tecnologia é também útil para motivar análises adicionais sobre como funciona o "comércio" de conhecimento e tecnologia.

271. A inovação cooperativa envolve a participação ativa em projetos de inovação com a participação de outras organizações, que podem ser outras empresas ou instituições não comerciais. Os parceiros não precisam obter benefícios comerciais imediatos do empreendimento. A simples contratação em que não existe colaboração ativa, em que não há colaboração ativa, não é considerada cooperação. A cooperação difere das fontes de informação abertas e da aquisição de conhecimentos e de tecnologia no sentido de que todos os intervenientes assumem um papel ativo no trabalho.

272. A inovação cooperativa permite que as empresas tenham acesso ao conhecimento e à tecnologia que elas não estariam aptas a utilizar sozinhas. Há também um grande potencial para sinergias na cooperação, pois os parceiros aprendem uns com os outros.

273. Pode haver inovação cooperativa ao longo das cadeias de fornecimento, com o envolvimento de consumidores e fornecedores no desenvolvimento conjunto de novos produtos, processos ou outras inovações. O nível de interação nas cadeias de fornecimento (isto é, se as interações envolvem cooperação, ou trocas de informação a distância ou compras de tecnologia) pode depender do tipo de conhecimento e de tecnologia. Por exemplo, no desenvolvimento de produto, se a tecnologia não é modular, a inovação ao longo da cadeia de fornecimento deve ser coordenada de perto pois mudanças na configuração tecnológica de uma parte do produto devem considerar mudanças em outras partes. Se as tecnologias envolvidas são completamente modulares, os montadores do produto final podem lidar com os fornecedores de componentes, materiais etc em uma base à distância, na qual a interação consista sobretudo em compras de equipamentos ou de serviços que incorporam o novo conhecimento. As trocas de informações tecnológicas e de negócios acompanham naturalmente o comércio de bens e serviços. As informações sobre as necessidades dos consumidores e suas experiências sobre os produtos de um fornecedor assumem um papel chave na inovação.

274. A inovação cooperativa pode também compreender a colaboração horizontal, em que as empresas trabalham em conjunto com outras empresas ou com instituições públicas de pesquisa. Tem-se como exemplo o desenvolvimento conjunto de novas tecnologias, produtos ou processos por empresas que vendem o mesmo tipo de produto mas que possuem ativos complementares, como ocorre quando se realizam vendas em diferentes mercados geográficos ou em diferentes nichos de mercado. A cooperação horizontal em inovação pode também incluir alianças estratégicas para desenvolver e implementar novos conceitos de marketing. Ela pode ocorrer entre empresas que produzem produtos diferentes mas altamente complementares, como por exemplo uma nova máquina-ferramenta controlada por computador e o pacote de softwares necessário para monitorá-la e controlá-la.

275. Embora o foco deste capítulo repouse sobre as interações externas, o fornecimento interno de informação é também importante. A identificação de quais partes da empresa (por exemplo, P&D, marketing, distribuição) são fontes importantes de informação para as atividades de inovação oferece esclarecimentos sobre como se dá o fluxo de conhecimentos dentro da empresa.

276. As fontes potenciais para os três tipos de interações são similares, ainda que algumas sejam relevantes somente como fontes abertas de conhecimento e tecnologia. A tabela 5.1 mostra as fontes para os três tipos de interações e indica para quais tipos cada fonte é relevante. Incluem-se fontes internas, outras empresas, instituições de pesquisa públicas e sem fins lucrativos, e diversas fontes de informações gerais. A definição de várias fontes deve ser adaptada para a terminologia específica de cada país para se identificar claramente os laboratórios comerciais, os institutos de pesquisa governamentais e os institutos privados sem fins lucrativos.

Tabela 5.1 Fontes para transferências de conhecimento e tecnologia

 

Fontes abertas de informação

Fontes para compras de conhecimentos e tecnologia

Parceiros para cooperação

Fontes no interior da empresa:

*

 

 

      P&D *    
      Produção *    
      Marketing *    
      Distribuição *    
Outras empresas no grupo empresarial * * *
Mercado externo e fontes comerciais:      
      Concorrentes * * *
      Outras empresas na indústria * * *
      Clientes ou consumidores *   *
      Consultores/empresas de consultoria   * *
      Fornecedores de equipamentos, materiais, componentes      
      Softwares ou serviços * * *
      Laboratórios comerciais * * *
Fontes do setor público:      
      Universidades e outras instituições de ensino superior * * *
      Institutos de pesquisa governamentais/públicos * * *
      Institutos de pesquisa privados e sem fins lucrativos * * *
      Serviços especializados públicos/semi-públicos de suporte à inovação * * *
Fontes de informações gerais:      
      Divulgação de patentes      
      Conferências profissionais, encontros, publicações  especializadas e jornais *    
      Feiras e exibições *    
      Associações profissionais, sindicatos trabalhistas *    
      Outras associações locais *    
      Contatos informais ou redes *    
      Padrões e agências de padronização *    

      Regulações públicas (ambiente, segurança)

*

 

 

 

277. As empresas multinacionais (EMs) são um caso especial. As interações no interior da EM podem ocorrer entre países. Uma vez que as unidades estatísticas para pesquisas sobre inovação incluem apenas as porções domésticas das EMs (ver Capítulo 4), as interações com as unidades estrangeiras da EM devem ser consideradas como interações externas, com "outras empresas de um grupo empresarial".

2.2 Coleta de dados sobre as interações no processo de inovação

278. Recomenda-se que os dados sejam coletados para os três tipos de interações, conforme a lista de fontes apresentada. Para o uso em pesquisas sobre inovação, esses tipos de interações podem ser definidos como:

  • Fontes abertas de informação: informações disponíveis que não exigem a compra de tecnologia ou de direitos de propriedade intelectual, ou interação com a fonte.
  • Aquisição de conhecimentos e tecnologia: compras de conhecimento externo e/ou conhecimentos e tecnologias incorporados em bens de capital (máquinas, equipamentos, softwares) e serviços, que não envolvem interação com a fonte
  • Inovação cooperativa: cooperação ativa com outras empresas ou instituições públicas de pesquisa para atividades de inovação (que podem incluir compras de conhecimento e tecnologia).

279. A formulação de questões sobre os tipos de interação em pesquisas sobre inovação apresenta vários desafios. Ainda que os três tipos de interação sejam de interesse, questões separadas para cada tipo podem resultar em respostas muito longas e onerosas e, dada a similaridade das questões, podem ser muito cansativas para as empresas que as respondem. Os parágrafos abaixo discutem diversos aspectos relevantes e algumas opções para a cobertura desses tópicos em pesquisas sobre inovação.

280. As interações podem gerar conhecimento e tecnologia para qualquer tipo de inovação (seja de produto, processo, marketing ou organizacional). Uma grande parte das interações envolve o desenvolvimento de novos produtos ou processos; porém as interações podem também, em muitos casos, envolvem a concepção do produto, o desenvolvimento de novas técnicas de marketing, ou o trabalho em inovações organizacionais tais como a integração de empresas com consumidores, fornecedores e varejistas.

281. As questões sobre as interações podem referir-se a todos os tipos de inovação combinados, aos tipos individuais, ou a subconjuntos estreitamente relacionados dos quatro tipos, como as inovações de produto e processo. A capacidade de identificar a qual tipo de inovação uma interação se refere primordialmente (por exemplo, a tipos individuais de inovações, ou a um subconjunto de tipos como as inovações de produto e processo) pode ajudar muito na interpretação dos dados. Por exemplo, as interações envolvendo o desenvolvimento de um novo bem ou serviço podem diferir muito das interações que envolvem o desenvolvimento de novos métodos de marketing.

282. As questões sobre as interações podem usar uma escala binária (isto é, sim/não) ou uma escala ordinal, perguntar às empresas se elas usaram a fonte e, nesse caso, qual é sua importância. Uma escala ordinal é útil para identificar as fontes mais importantes (ver a discussão de escalas binárias e ordinais no Capítulo 8). Entretanto, o uso da escala ordinal pode também limitar as opções para formulação das questões sobre as interações.

283. Algumas informações sobre a aquisição de conhecimentos e de tecnologia podem ser obtidas a partir de questões sobre as atividades de inovação (ver Capítulo 6), embora essas questões não indaguem sobre a fonte da compra.

284. Para detectar e entender melhor o processo de aglomeração ou de formação de redes no campo da inovação, pode-se obter informações adicionais pelo questionamento da localização geográfica dos parceiros da cooperação (local, nacional, estrangeira por região ou país). As informações sobre a localização geográfica das fontes (domésticas ou estrangeiras) podem também ser úteis para fontes abertas de informação e aquisição de conhecimentos e tecnologia.

285. Para melhor interpretar os resultados sobre as interações, pode haver questões sobre a condição da empresa como parte de um grupo empresarial e sobre sua posição na cadeia de valor.

2.2.1 As opções para a formulação de questões sobre as interações para pesquisas sobre inovação

286. Identificaram-se os tipos de interação, as referências aos tipos de inovação, o uso escalas binárias ou ordinais e a localização geográfica das interações como os quatro fatores principais que as pesquisas sobre inovação devem considerar na formulação das questões sobre as interações. Para fornecer uma orientação adicional, três opções são descritas abaixo.

287. Uma opção quando se formulam questões sobre as interações para pesquisas sobre inovação é incluir uma questão combinada que indaga se as fontes são relevantes como provedoras de informação, de compras de conhecimentos e tecnologia, ou como parceiras cooperativas. Isso permite incluir três tipos de interação e elimina a repetição. Para tal opção, é praticável apenas a utilização de uma escala binária (sim/não). A questão poderia referir-se à inovação de produto e processo ou a todos os tipos de inovação. Entretanto, restringir a questão para inovações de produto e processo (em oposição a combinar todos os tipos de inovação) ajudaria no momento de interpretar os dados. Questões suplementares poderiam investigar se as empresas tiveram interações (por exemplo, parcerias cooperativas ou fontes de informação sem especificação de tipos) em cada tipo de inovação. Uma questão adicional pode indagar sobre a localização geográfica das interações da empresa.

288. Uma segunda opção, que tem sido usada em diversas pesquisas sobre inovação, é incluir duas questões separadas sobre as interações, uma sobre as fontes de informação e sua importância relativa, outra sobre os parceiros de cooperação, sua importância relativa e sua localização. Ao utilizar essa opção, é importante distinguir as fontes de informação, de um lado, e os parceiros de cooperação, de outro lado (por exemplo, na ausência de diretrizes, qualquer parceiro de cooperação será também considerado uma fonte aberta de informação). As vantagens dessa abordagem incluem a possibilidade de indagar sobre a importância relativa da cada fonte e sobre a localização geográfica dos parceiros cooperativos. As desvantagens incluem o fato de que a aquisição de conhecimentos e de tecnologia não é coberta (além das informações obtidas de questões sobre a atividade de inovação) bem como uma considerável repetição nas duas questões. Como na opção anterior, as questões podem referir-se à inovação de produto e processo ou a todos os tipos de inovação, e as mesmas questões suplementares podem ser feitas.

289. Uma terceira opção seria incluir duas questões separadas sobre as interações, uma sobre as fontes de informação e outra sobre os parceiros de cooperação, tal como sugerido acima. Porém, ao invés de se perguntar sobre a importância relativa das interações, as questões poderiam explorar (utilizando uma escala binária) quais são os tipos de inovação (isto é, de produto, de processo, de marketing ou organizacional) envolvidos em cada interação. A principal vantagem dessa opção é que ela permite a obtenção de informações mais detalhadas sobre o tipo de inovação referente a cada interação.

2.2.2 A instituição que desenvolve a inovação

290. Informações adicionais sobre a difusão podem ser obtidas pela coleta de dados acerca da instituição que desenvolve as inovações das empresas. Essas questões foram incluídas em várias pesquisas e podem oferecer uma indicação sobre o quão ativa é a empresa no desenvolvimento de suas inovações, se ela interage com outras empresas no seu desenvolvimento, ou se o desenvolvimento de suas inovações foi primordialmente conduzido fora da empresa.

291. As informações fornecida são diferentes das informações obtidas a partir das questões sobre o grau de novidade (ver Capítulo 3), pois as empresas podem desenvolver inovações que já tenham sido implementadas por outras empresas. Isso indica, portanto, como as empresas inovadoras são, embora não necessariamente o grau de novidade de suas inovações.

292. Recomenda-se a inclusão de questões sobre as instituições que desenvolvem as inovações das empresas. Às empresas pode-se perguntar, por exemplo, para cada tipo de inovação, se:

  • As inovações foram desenvolvidas sobretudo pela própria empresa.
  • As inovações foram desenvolvidas pela empresa em cooperação com outras empresas ou instituições.
  • As inovações foram desenvolvidas principalmente por outras empresas e instituições.

As duas últimas categorias podem ser também divididas em duas subcategorias, por exemplo fazendo-se a distinção entre as inovações desenvolvidas em cooperação com outras empresas e aquelas realizadas em cooperação com instituições públicas de pesquisa, ou de acordo com o fato de outras empresas fazerem (ou não) parte de uma mesma empresa multinacional ou grupo empresarial. Tal como nas questões sobre o grau de novidade, as questões sobre a instituição que desenvolve as inovações podem ser colocadas para os quatro tipos de inovação ou para um subconjunto deles.

2.3 Outros indicadores de interação

293. Esta subseção examina opções para a coleta de dados adicionais sobre as interações que são mais relevantes para pesquisas especializadas.

2.3.1 Tipos de conhecimento e métodos de transferência

294. Além da identificação dos tipos de interação e suas fontes, pode também ser útil a coleta informações mais detalhadas sobre características importantes das interações, como os tipos de conhecimentos transferidos e o método de transferência. Questões desse tipo podem requerer uma pesquisa especializada, capaz de ligar-se aos resultados de pesquisas sobre a inovação em geral. Como alternativa, questões suplementares podem ser incluídas em pesquisas sobre a inovação em geral, por exemplo acerca da interação externa mais importante23.

295. As questões sobre os tipos de conhecimentos obtidos por meio de uma interação podem investigar se o conhecimento era incorporado ou desincorporado, tácito ou codificado, público ou privado, baseado em P&D, específico ou genérico, e qual é o seu grau de novidade. Questões sobre como a transferência efetiva ocorre podem indagar sobre o uso de relatórios, projetos, compras de maquinário, componentes e softwares, contatos informais, trabalhos conjuntos, treinamentos e apresentações.

2.3.2 Capital social ou de rede

296. O capital social ou de rede refere-se aos estoques de confiança social, valores e normas das empresas. Dele decorrem importantes impactos sobre a circulação da informação dentro de uma empresa e sobre o compartilhamento de conhecimentos em atividades colaborativas com outras organizações. As empresas podem implementar novas estruturas organizacionais ou novas práticas para introduzir uma nova cultura de negócios, normas e valores, com o objetivo de melhorar a capacidade de inovar da empresa. O estabelecimento da confiança é também um fator chave para a manutenção e a melhoria dos relacionamentos, dentro e fora da empresa. Os relacionamentos de longo prazo que podem construir a confiança mútua podem oferecer benefícios a todos os participantes.

297. As informações sobre as atividades empresariais que visam melhorar o capital social podem ser obtidas por meio de questões sobre a inovação organizacional, por exemplo, perguntando se as empresas implementaram novas práticas e rotinas para introduzir uma nova cultura de negócios e novos valores. Informações adicionais podem ser extraídas de pesquisas especializadas. Por exemplo, questões sobre a duração de uma interação externa podem oferecer um indicador do nível de confiança no relacionamento. Uma opção é incluir questões sobre a data de instituição das parcerias ou alianças estratégicas, por exemplo nos últimos cinco anos, mais de dez anos atrás etc. As questões sobre o grau de formalização do relacionamento, como as que indagam sobre o uso de contratos formais, adicionam informações sobre os valores sociais e culturais envolvidos e sobre o grau de confiança. Mais detalhes sobre o papel da confiança podem ser obtidos questionando-se a forma como o parceiro foi identificado, se por meio de conhecimentos prévios, recomendações, ou por meios distantes como os anúncios.

2.3.3 Informações adicionais sobre a inovação cooperativa

298. Pode-se coletar informações adicionais sobre as formalidades que regulam a cooperação, a disponibilização de conhecimentos específicos no campo dos acordos de cooperação, e informações econômicas mais gerais sobre cada parceiro (como seu setor, tamanho e idade).

299. Outra opção é perguntar o número de parceiros diferentes para cada categoria. Isso tornaria possível a distinção entre os maiores e os menores agentes das redes. São também importantes o número e a duração dos relacionamentos. Idealmente, isso poderia contribuir para a identificação da importância dos diferentes relacionamentos que constituem as redes em torno das empresas.

   
 

23 Ver, por exemplo, os DISKO-surveys sobre inovação na Dinamarca e na Noruega, e OECD (2001). (Ir para o texto)