Brasil Inovador
Manual de Oslo - Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados Sobre Inovação
   
   
 

8. A coleta de dados sobre inovação

217. Conforme os objetivos e o escopo da pesquisa, a coleta de dados sobre inovação pode assumir várias abordagens. Uma abordagem abrangente cobriria todos os tipos de inovação da mesma forma. Alternativamente, inovações de produto e de processo podem ser mantidas como os tipos centrais de inovação mas as inovações de marketing e organizacionais podem ser parcialmente cobertas, ou as inovações de produtos e processos podem ser o foco exclusivo. Ademais, um ou mais tipos de inovação podem ser cobertos com maior detalhe em pesquisas especializadas.

218. As diretrizes apresentadas aqui e nos capítulos subseqüentes sumarizam várias opções para a coleta de dados. Evidentemente, não é possível abordar todos os tópicos e subtópicos em uma pesquisa sobre inovação, e as pesquisas devem selecionar as questões consideradas mais relevantes. Um conjunto limitado de tópicos eleitos como particularmente importantes para pesquisas sobre inovação é recomendado em negrito.

219. Dados sobre cada tipo de inovação podem ser coletados por meio de uma única questão ou por meio de uma série de sub-questões em subgrupos separados para cada tipo de inovação. Esta última sugestão resultará em informações mais detalhadas sobre as inovações de cada empresa. Maiores detalhes sobre os tipos de inovação implementados pelas empresas seriam muito úteis para a análise e interpretação de dados.

220. Informações sobre fatores suplementares, como as interações, os objetivos da inovação e suas barreiras, podem ser coletadas separadamente para cada tipo de inovação ou para subconjuntos intimamente relacionados dos quatro tipos, como uma combinação de inovação de produto e processo. Para algumas questões suplementares, coletar dados para os quatro tipos de inovação combinados pode tornar a interpretação dos dados mais difícil. Por exemplo, combinar os quatro tipos de inovação em questões sobre as interações tornaria muito difícil a tarefa de determinar se determinada interação foi usada no desenvolvimento de uma inovação de produto, processo, marketing ou organizacional.

221. Restrições de tamanho tornam as questões separadas sobre cada fator suplementar para cada tipo de inovação algo problemático. Assim, os Capítulos 6 e 7 apresentam opções para as questões suplementares: referindo-se aos quatro tipos de inovação combinados, centrando-se nas inovações de produto e processo, ou direcionando as questões para tipos individuais de inovação. O Capítulo 5 oferece diretrizes para conduzir as questões sobre as interações em direção aos quatro tipos (sejam combinados ou separados) ou a um subconjunto de tipos, tais como as inovações de produto e processo. O Capítulo 6 separa as atividades de inovação de produto e processo das atividades de marketing e organizacionais. O Capítulo 7 lista os objetivos, os fatores impeditivos e outros indicadores para cada tipo de inovação individualmente. Essas listas podem ser igualmente úteis para as questões que focalizam apenas um subconjunto de inovações, ou os subconjuntos que cobrem todos os tipos de inovação, ou ainda os que cobrem tipos de inovação de forma individual.

222. As inovações que abrangem mais de um tipo, tais com as que incluem um componente de processo e um organizacional, podem exercer um papel crescentemente importante na competitividade da empresa em seus ganhos de produtividade. Por exemplo, uma reestruturação das operações de produção poderia envolver inovações de processo, organizacionais e de marketing; inovações de marketing e organizacionais poderiam ser implementadas visando tirar melhor proveito de uma inovação de produto.

223. Uma opção é incluir questões sobre a conexão entre os diferentes tipos de inovação. Especialmente interessante é a ligação entre as inovações organizacionais e de processo, ainda que as conexões entre os outros tipos, como inovações de produto e de marketing ou as inovações de produto e de processo, também possam ser de grande interesse.

224. Para assegurar a comparabilidade, as pesquisas devem especificar um período de observação para as questões sobre inovação. Recomenda-se que a extensão do período de observação para as pesquisas sobre inovação não exceda três anos nem seja inferior a um ano. Os fatores que influenciam a escolha da extensão do período de observação são discutidos no Capítulo 8, quando são abordados os métodos das pesquisas. O mesmo período de observação deve ser usado para todas as questões em pesquisas sobre inovação, com exceção de alguns indicadores quantitativos difíceis de coletar, que devem, então, referir-se ao ano mais recente do período de observação, o ano de referência.

225. O conceito de novidade é, em princípio, aplicável aos quatro tipos de inovação, possivelmente em diferentes graus. As questões sobre o grau de novidade são provavelmente as mais fáceis de serem respondidas no caso das inovações de produto. As empresas podem considerar as questões sobre a novidade das inovações de processo mais difíceis, visto que elas podem não possuir total conhecimento sobre os métodos de produção e de distribuição das outras empresas. O conceito de novidade é aplicável para a maioria das inovações de marketing (como novos métodos de contratação, posicionamento de produto e promoção de produto), embora sejam menos relevantes para novos conceitos de design de produto. Para a inovação organizacional, alguns métodos novos de organização podem ser específicos para uma única empresa, e, portanto, dificultar a comparação com as demais. Além disso, as empresas podem não ter informações sobre se determinados métodos organizacionais já foram aplicados por outras empresas.

226. Recomenda-se que as pesquisas sobre inovação investiguem se alguma inovação de produto introduzida durante o período de observação foi nova para o mercado. As pesquisas sobre inovação podem também coletar dados sobre as inovações de processo que foram novas para o mercado. Uma outra opção é perguntar se essas inovações foram novas para o mundo.