Brasil Inovador
Manual de Oslo - Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados Sobre Inovação
   
   
 

6. A relação entre o Manual de Oslo e
outros padrões e conceitos relacionados

6.1 Manuais para mensuração de ciência e atividades tecnológicas

58. Duas famílias básicas de indicadores de Ciência e Tecnologia (C&T) são diretamente relevantes para a mensuração da inovação: recursos direcionados a P&D e estatísticas de patentes. Além disso, indicadores bibliométricos e vários outros tipos de indicadores oferecem informações complementares, ainda que as informações não estejam disponíveis para o âmbito da empresa.

59. Dados sobre P&D são coletados por pesquisas nacionais em conformidade com as diretrizes dadas pelo Manual Frascati (OCDE, 2002). Esses dados mostraram-se válidos em vários estudos: por exemplo, os efeitos da P&D na produtividade foram estimados por técnicas econométricas, tanto para países como para setores e empresas. Tais dados têm duas limitações principais. A primeira é o fato de que a P&D seja um insumo. Embora isso evidentemente se relacione a mudanças técnicas, elas não são medidas pela P&D. A segunda é que a P&D não abarca todos os esforços das empresas e governos nessa área porquanto existem outras formas de mudanças técnicas, como o aprendizado pela prática, que não são tratadas por essa definição restrita.

60. A patente é um direito legal de propriedade sobre uma invenção, garantido pelos escritórios de patentes nacionais. Uma patente confere a seu detentor direitos exclusivos (durante um certo período) para explorar a invenção patenteada. Ao mesmo tempo, ela revela os detalhes da invenção como um meio de permitir seu uso social mais amplo. Estatísticas de patentes são cada vez mais utilizadas como indicadores do resultado das atividades de pesquisa. O número de patentes concedidas a uma dada empresa ou país pode refletir seu dinamismo tecnológico; exames sobre o crescimento das classes de patentes podem fornecer alguma indicação acerca da direção da mudança tecnológica. Em contrapartida, os problemas referentes ao uso de patentes como indicadores de inovação são bem conhecidos. Muitas inovações não são patenteadas, enquanto algumas são protegidas por patentes múltiplas; muitas patentes não possuem valor tecnológico ou econômico, e outras possuem valores muito elevados (ver o Patent Manual, OCDE, 1994)

61. Essas duas famílias básicas de estatísticas são complementadas por várias outras: estatísticas sobre publicações científicas (bibliométricas), publicações em jornais técnicos e de comércio ("LBIO" ou indicadores de resultados de inovação baseados em publicações, recursos humanos capacitados, balanço de pagamentos tecnológico, indicadores da globalização e indicadores de atividade em setores de alta tecnologia (investimentos, emprego, comércio internacional). Ademais, algumas informações sobre inovação e atividades inovadoras podem ser obtidas indiretamente por várias outras fontes, como as pesquisas sobre negócios ou estatísticas de educação.

62. O processo de globalização afeta a inovação em um grande número de países em virtude do aumento da competição internacional, dos fluxos de bens, serviços e conhecimentos entre as fronteiras nacionais, e das interações internacionais. As empresas multinacionais (EMs) exercem um importante papel nesse processo. O Handbook on Economic Globalisation Indicators (OCDE, 2005) discute questões ligadas à globalização e fornece um conjunto de indicadores relevantes de globalização.

63. Sempre que possível, o Manual conta com os conceitos e classificações estabelecidos no conjunto dos manuais da OCDE para a mensuração das atividades científicas e tecnológicas (ver Box 1.2), especialmente o Manual Frascati, no que tange aos recursos dirigidos a P&D (OCDE, 2002). Essa observação refere-se particularmente a várias questões em P&D e outras atividades de C&T que recebem recomendações de inclusão em pesquisas sobre inovação nos Capítulos 6 e 7.

6.2 Outros padrões e classificações

Em virtude da necessidade de inserir a inovação em um contexto mais amplo, conceitualmente e em termos de bases de dados, as diretrizes e classificações das Nações Unidas (NU) são utilizadas ao máximo, notadamente o Sistema de Contas Nacionais (System of National Accounts) – SCN (CCE et al., 1994), a Classificação Industrial Internacional Padrão (International Standard Industrial Classification) – ISIC Rev 3.1 (NU, 2002) e, como este é um Manual conjunto da OCDE e do Eurostat, os padrões europeus correspondentes, sobretudo a Classificação Estatística de Atividades Econômicas na Comunidade Européia (Statistical Classification of Economic Activities in the European Community) – NACE Rev. 1.1 – série 2E.

Box 1.2 Manuais e outras diretrizes para a mensuração das atividades científicas e tecnológicas

Proposed Standard Practice for Surveys of Research and Experimental Development – Frascati Manual, sexta edição (OCDE, 2002).

OECD Proposed Guidelines for Collecting and Interpreting Technological Innovation Data – Manual de Oslo, terceira edição (OCDE/UE/Eurostat, 2005).

“Using Patent Data as Science and Technology Indicators – Patent Manual” (OCDE, GD 1994).

“The Measurement of Human Resources Devoted to S&T – Canberra Manual” (OCDE/ UE/Eurostat, GD 1995).

“Proposed Standard Method of Compiling and Interpreting Technology Balance of Payments Data – TBP Manual” (OECD, GD 1992).

Handbook on Economic Globalisation Indicators (OCDE, 2005).

Measuring Productivity Manual (OCDE, 2001).

A Guide for Information Society Measurements and Analysis (OCDE, 2005)

A Framework for Biotechnology Statistics (OCDE, 2005)

 

6.3 Outros conceitos e pesquisas relacionadas

64. Como ressaltado anteriormente, há outros meios de examinar as mudanças nas empresas que incrementam sua produtividade e desempenho. Alguns dos investimentos intangíveis mais relevantes são examinados: geração e adoção de tecnologias da informação e da comunicação (TIC), biotecnologia e gerenciamento do conhecimento.

65. Tecnologias da informação e da comunicação abarcam tanto hardware como software. Acredita-se que seu desenvolvimento e difusão tiveram grande impacto sobre o padrão de produção e o emprego em um amplo conjunto de indústrias. No caso de hardware pode ser interessante saber não apenas quando uma empresa introduziu um equipamento de TIC novo ou melhorado mas também a proporção de TIC em seu estoque total de equipamentos, inclusive compras subseqüentes de máquinas do mesmo modelo. Mapear o desenvolvimento, a produção, a adaptação e o uso de softwares é uma tarefa ainda mais complexa, uma vez que essas atividades são executadas por toda a economia. As pesquisas dedicam-se aos usos da TIC e às atividades de P&D realizadas pelas empresas que desenvolvem produtos de TIC.

66. Embora menos penetrante que a TIC, a biotecnologia é também vista como causadora de grande impacto econômico, devido a seu crescente uso na execução de produtos e processos. Várias pesquisas sobre biotecnologia têm sido realizadas, primordialmente a respeito dos desenvolvedores de biotecnologia. Porém, algumas pesquisas examinam também os usuários de biotecnologia (por exemplo, o Statistics Canada, 1999).

67. O gerenciamento do conhecimento compreende atividades relacionadas à apreensão, uso e compartilhamento do conhecimento pela organização. Essa é uma importante parte do processo de inovação. Diversas pesquisas sobre práticas de gerenciamento do conhecimento foram realizadas nos últimos anos6. Elas abordam políticas e estratégias, liderança, apreensão de conhecimento, treinamentos e comunicações, assim como as razões para o uso das práticas de gerenciamento do conhecimento e os motivos por trás do desenvolvimento dessas práticas. Incluem-se também questões sobre o gerenciamento do conhecimento em pesquisas sobre inovação7.

68. O investimento intangível abrange as despesas com marketing não rotineiro, treinamento, software e alguns itens similares, além das despesas correntes em P&D. Inserem-se as despesas correntes com inovação assim como os elementos que não fazem parte das despesas correntes com inovação (por exemplo, todas as despesas de uma empresa com treinamento e marketing, e não apenas treinamento e marketing relacionados à implementação de inovações). Não são considerados os conhecimentos tangíveis como gastos com inovações de capital, que inserem despesas de capital para P&D, a aquisição de outros maquinários e equipamentos ligados a inovações.

   
 

6 Ver Foray e Gault (2003). Ademais, uma pesquisa piloto do Eurostat sobre gerenciamento do conhecimento será realizada em 2006. (Ir para o texto)

7 Por exemplo, a pesquisa CIS3 na França, o J-NIS 2003 no Japão e o 2003 Innovation Survey na Austrália. (Ir para o texto)