2. Fatores de influência sobre o escopo do Manual
20. O objetivo do Manual é oferecer diretrizes para a coleta e a interpretação de dados sobre inovação. Os dados sobre inovação podem ter muitos usos e o Manual foi concebido para acomodar esses usos. Uma razão para a coleta de dados de inovação é compreender melhor essas atividades e sua relação com o crescimento econômico. Isso exige conhecimentos em atividades de inovação que têm impacto direto no desempenho da empresa (por exemplo no aumento da demanda ou em custos reduzidos), e dos fatores que afetam sua capacidade de inovar. Outro propósito é disponibilizar indicadores para cotejar o desempenho nacional com as melhores práticas existentes. Ambos informam os formuladores de políticas e permitem a comparação internacional. Há uma necessidade de coletar novos indicadores mas também um desejo de manter os indicadores existentes para comparações ao longo do tempo. O Manual foi planejado para alcançar um equilíbrio entre essas diferentes necessidades.
21. Como se poderia decidir sobre o escopo, a estrutura e a terminologia apropriados para uma coleta de dados internacionalmente comparável? A variedade de assuntos cobertos tanto por pesquisas especializadas como por pesquisas gerais de inovação evidencia que muitos tipos de dados são potencialmente disponíveis. Evidentemente, uma pesquisa cobrindo todos os tópicos possíveis seria excessivamente enfadonha. Deve-se identificar prioridades e selecionar assuntos, indústrias e abordagens de pesquisas. Há duas questões principais: o que é mensurável e o que vale a pena mensurar?
2.1 O que é mensurável?
22. A inovação é um processo contínuo. As empresas realizam constantemente mudanças em produto e processo e buscam novos conhecimentos, e vale lembrar que é mais difícil medir um processo dinâmico do que uma atividade estática. Com o objetivo de capturar esse movimento, o Manual apresenta diretrizes para a coleta de dados sobre o processo geral de inovação (por exemplo atividades de inovação, despesas e interações), a implementação de mudanças significativas na empresa (isto é, inovações), os fatores que influenciam as atividades de inovação e os resultados da inovação.
2.2 O que vale a pena mensurar?
23. Na construção de indicadores de inovação, as necessidades dos formuladores de política e dos analistas em termos de informações representam uma consideração suprema. O Capítulo 2 retoma essas necessidades, que são parte de um amplo sistema de informação capaz de ajudar a reduzir a incerteza na formulação de políticas e que foram influenciadas, desde a primeira edição do Manual, por desenvolvimentos na economia da inovação.
24. Políticas de inovação desenvolveram-se como um amálgama de políticas de ciência e tecnologia. Elas tomam como um dado o fato de que o conhecimento em todas as suas formas desempenha um papel fundamental no progresso econômico e a inovação é um fenômeno complexo e sistêmico. A abordagem de sistemas para a inovação muda o foco de política em direção a uma ênfase na interação das instituições e nos processos interativos no trabalho de criação de conhecimento e em sua difusão e aplicação. O termo "sistema nacional de inovação" foi cunhado para representar esse conjunto de instituições e esses fluxos de conhecimentos. Essa perspectiva teórica influencia a escolha de questões para incluir em uma pesquisa sobre inovação, e a necessidade, por exemplo, de um tratamento extensivo das interações e fontes de conhecimento.
25. As abordagens de sistemas complementam teorias com foco na empresa inovadora, nas razões para inovar e nas atividades assumidas por essas empresas. As forças que conduzem a inovação no âmbito da empresa e as inovações bem-sucedidas para melhorar o desempenho da firma são de importância central para a formulação de políticas. Questões sobre a implementação de inovações, a interação entre diferentes tipos de inovação, e os objetivos e barreiras à inovação são a fonte dos dados relevantes.
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