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Prêmio FINEP Nordeste tem 13 finalistas
Foram escolhidos hoje, em Recife, os 13 finalistas do Prêmio FINEP Nordeste. O estado de Pernambuco emplacou seis projetos, seguido do Ceará com três, Rio Grande do Norte com dois e Bahia e Paraíba com um cada. (Veja no final do texto os projetos escolhidos).
 
A premiação da Região Nordeste está prevista para 14 de outubro, quando será divulgada a ordem de classificação dos finalistas. Apenas o primeiro em cada categoria disputará o Prêmio Nacional, que acontece em novembro.
 
Nas etapas regionais todos os indicados recebem selos de qualificação, mas apenas os primeiros colocados na categoria Pequena Empresa são contemplados com laptops doados pelo Sebrae-Nacional. Os cinco vencedores nacionais ganharão bolsas do CNPq, troféus e selos de qualificação e uma viagem ao Reino Unido, onde conhecerão experiências de empresas e instituições afins. A viagem será coordenada e patrocinada pelo British Council, mais novo parceiro do Prêmio ao lado do Cenpes (Petrobras), CNPq e Sebrae. Também apóiam a iniciativa a Associação Brasileira de Ciência, Abipti, Anpei, Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro, CNI, Scientific American, Revista Expressão, Canal Futura e SBPC.
 
Este ano, o Prêmio FINEP também abre um espaço para discussão das políticas governamentais e de questões ligadas à área de ciência, tecnologia e inovação. Durante a etapa de premiação, serão realizados fóruns regionais de inovação tecnológica. A programação varia de acordo com as peculiaridades de cada região.
 
O Prêmio FINEP bateu recorde de inscrições em 2004: recebeu 508 projetos, contra 337 no ano passado. A Região Sul liderou com 160 concorrentes, seguida da Sudeste com 149, Nordeste com 81, Centro-Oeste com 67 e Norte com 51.
 
Os próximos julgamentos são os da Região Sudeste, no dia 9 de setembro, e Centro-Oeste, dia 16 do mesmo mês.  
 
Conheça os finalistas da Região Nordeste:
 
Produto
 
LAFEPE – (PE) - O produto da Lafepe é um comprimido revestido para tratamento de AIDS com associação de dois anti-retrovirais: Lamivudina (150 mg)+Zidovudina (300 mg). A associação deles numa mesma forma farmacêutica (comprimido revestido) traz inúmeras vantagens relacionadas diretamente ao tratamento - custo e redução de dosagens- e ao paciente - redução de reações adversas, maior adesão ao tratamento e comodidade. Desde o seu desenvolvimento industrial e sua fabricação pelo LAFEPE, em 2001, o Ministério da Saúde vem adquirindo e distribuindo essa associação em quantidades sempre crescentes, em função da sua garantida eficácia terapêutica e baixo custo de aquisição em relação ao medicamento de referência Biovir®. A maior vantagem de se ter no LAFEPE, um dos 18 Laboratórios Oficiais do Brasil, essa linha de P&D voltada para o desenvolvimento de anti-retrovirais é no âmbito social da empresa e do país, já que há uma redução nos custos para o Governo Federal e a garantia de proporcionar um maior número de pacientes sendo atendidos pelo Programa DST/AIDS.

Light Infocon Tecnologia (PB) – O produto finalista é o GoldenDoc, Software de Gestão de Conteúdo e da Informação e Biblioteca Digital, totalmente voltado para aplicações via internet e/ou intranet, de forma rápida e de fácil utilização. O GoldenDoc é um produto pioneiro no Brasil em sua classe devido às particularidades da tecnologia utilizada como plataforma (Banco de Dados Textual Multimídia) e já responde por 42% das vendas da empresa. Desenvolvido para se adequar às mais diversas organizações, disponibilizando recursos avançados para o gerenciamento efetivo de conteúdo digital, com o GoldenDoc é possível acessar vários formatos de arquivos, desde documentos até conteúdo multimídia, armazenados em um repositório único, acessíveis por uma interface comum, exibida em um navegador via internet ou intranet. É possível recuperar a informação desejada por meio de busca textual, com diversos níveis de refinamento, ou a partir da navegação na árvore de diretórios. As duas técnicas podem ser combinadas, de forma a se obter a informação da forma mais rápida e precisa possível. Suportando o GoldenDoc está o servidor de dados LightBase, também desenvolvido pela Light Infocon, uma tecnologia 100% brasileira premiada duas vezes no Brasil e uma vez na Espanha.
Movitec Compressores de Processo – BA – Finalista pelo desenvolvimento de compressores de processo com tecnologia brasileira, baseados em normas nacionais e internacionais. Já está em funcionamento no CTGÁS, em Natal, um compressor de média vazão, desenvolvido em cooperação com a Movitec, que pode atender a frotas de carros e empilhadeiras de empresas ou ser instalado em cidades pequenas, onde o número de automóveis a gás ainda é reduzido. Um dos principais problemas para a instalação de novos postos de GNV tem sido o custo elevado, e o vilão da história é o compressor. Dos R$900 mil que, em média, se gasta na construção de uma estrutura de abastecimento, R$600 mil vão para a empresa que vende o compressor de grande porte, único existente no mercado. Com uma vazão média de 800 m3/hora, é preciso abastecer aproximadamente 600 veículos por dia para que o dono do negócio lucre com o empreendimento. O número pode ser razoável para um grande centro, mas se torna inviável para cidades pequenas ou empresas. O compressor desenvolvido tem uma vazão de 200 m3/hora, o que permite o abastecimento de aproximadamente 150 carros por dia, e seu custo é de apenas R$280 mil. E o tamanho reduzido não significa menos tecnologia empregada, ao contrário. O compressor hoje corresponde a 95% do faturamento anual da Movitec.
 
 
Processo

BioCampo - Califórnia Biotecnologia (RN) -  A acentuada procura por helicônias, principalmente no exterior, tem colocado o cultivo desse gênero de plantas em posição de destaque. O consumo per capita/ano de flor na Europa ou E.U.A fica em torno de US$ 120, na Argentina é de US$ 25 e no Brasil apenas US$ 3,50. A Califórnia Biotecnologia promete revolucionar o mercado de flores tropicais. Com um pioneiro processo de reprodução in vitro de mudas de helicônias padronizadas geneticamente, a empresa pretende conquistar mercados externos tornando as plantas imunes a pragas e, conseqüentemente, aumentando a produtividade e qualidade do produto nacional.  O cultivo tradicional sofre com as doenças do campo, o que impossibilita a produção em escala que atenda às exportações.  

Endoview (PE) - Primeira empresa latino-americana a produzir endoscópios (instrumento médico utilizado para examinar o interior do corpo humano), a Endoview inovou ao desenvolver um equipamento dividido em quatro módulos, permitindo que a produção de cada parte seja realizada separadamente. Segundo a empresa, isso torna o produto 30% mais barato em relação aos similares. Os concorrentes utilizam o sistema tradicional de monobloco. Uma segunda vantagem diz respeito à assistência técnica, pois não é mais necessário substituir todo o equipamento quebrado para que o médico continue realizando exames. Com o processo de produção em sistema modulado é possível consertar o endoscópio no mesmo dia, apenas substituindo o módulo com defeito. 
 
Secretaria de Estado da Tributação (RN) - Desenvolvido pela Secretaria de Estado da Tributação do Rio Grande do Norte, envolvendo também a Secretaria de Fazenda da Bahia e o
Encontro de Coordenadores e Administradores Tributários – ENCAT,  um processo simples de gestão da informação pode resolver um problema histórico de fiscalização de transporte de mercadorias. Já adotado por todos os estados brasileiros, com exceção de São Paulo, Paraná e Distrito Federal, o novo sistema impede a sonegação de impostos. Todas as informações acerca de uma nota fiscal, veículo e motorista ficam imediatamente disponíveis para todas as Secretarias de Fazenda, que monitoram pela internet todas as operações interestaduais. Antes existiam sistemas de controle individuais que facilitavam a sonegação, uma vez que a passagem em diferentes estados durante o percurso não era informada ao destino final da mercadoria.  O novo processo, que possibilitou a emissão de centenas de autos de infração contra contribuintes que tentaram burlar o sistema, já obteve uma receita direta de mais de R$ 5 milhões.
 

Instituição de Pesquisa
 
C.E.S.A.R. - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (PE) - O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.) desenvolveu, entre 2001 e 2003, cerca de 375 projetos, número que comprova a eficiência de um instituto que é hoje referência em todo o país. Desde a fundação, em 1996, o centro prioriza a formação de alianças estratégicas com importantes empresas, como a IBM, Motorola, Itautec, HP e Microsoft. Assim, busca gerar soluções de tecnologia com alto impacto social. Um destaque foi a criação e implantação de um modelo inovador de incubação de empreendimentos de base tecnológica, único com certificado ISO 9001 do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já foram incubadas cerca de 30 empresas, dentre as quais a Neurotech, a Tempest, a Newstorm, a Qualiti e a Vanguard. Em 2003, a receita proveniente da atividade com o setor privado foi de aproximadamente R$ 15 milhões.

Centro de Pesquisas do PADETEC - Parque de Desenvolvimento Tecnológico (CE) - O Centro de Pesquisas do PADETEC vem, há mais de uma década, contribuindo para a consolidação de um novo modelo de desenvolvimento para o Ceará, baseado na criação de empreendimentos intensivos em conhecimento cujos produtos/processos resultam de pesquisas desenvolvidas no PADETEC por empresas de base tecnológica. O PADETEC hoje representa um exemplo concreto de sucesso de incubadora de empresas de base tecnológica. Visando, acima de tudo, ao desenvolvimento do estado, a geração de emprego e renda, o aproveitamento de matérias-primas regionais, a elevação da renda per capita e a busca na forma de contribuir para a melhoria do padrão de vida da população brasileira, o PADETEC incentiva e apóia empreendedores cujos esforços redundam no surgimento de micro e pequenas empresas cujos produtos/processos ou serviços tecnológicos especializados apresentem elevado valor agregado. Só nos últimos três anos desenvolveu 34 produtos diversos e mais 25 processos, que vão de fitoterápicos a alimentos funcionais, passando por sistemas de automação e controle de fluxo de água a produção de perfumes e cosméticos. Todos os produtos, softwares, processos ou técnicas resultaram de desenvolvimento local, executados por técnicos, bolsistas e pesquisadores, utilizando a infra-estrutura laboratorial do Centro de Pesquisas do PADETEC.
 
 
Instituto Atlântico (CE) - O Instituto Atlântico, do Ceará, foi criado em 2001 por iniciativa do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações - CPqD. Atuando em parceria com instituições como a Universidade Federal do Ceará e a PUC do Rio de Janeiro, o Instituto, que emprega hoje 76 profissionais, desenvolve projetos para clientes como o CPqD, HP, Solectron e Banco do Brasil. Entre as áreas de atuação estão o desenvolvimento de softwares, de soluções para automação bancária, produtos para produção de conteúdo de intranets e desenvolvimento de portais intranet/internet. Todos os projetos são contratados com recursos próprios dos clientes ou oriundos de mecanismo legal de incentivo à pesquisa e desenvolvimento (Lei de Informática), que já totalizam uma receita para a instituição de aproximadamente R$ 20,5 milhões. Na quase totalidade dos casos, os clientes detêm a propriedade intelectual dos resultados, o que explica o fato do Instituto Atlântico ainda não possuir patentes.


Pequena Empresa

Endoview (PE) - A Endoview ganhou notoriedade ao desenvolver, em 2001, o Ergon, primeiro videoendoscópio flexível fabricado no Brasil e único produzido fora da Ásia. O endoscópio flexível é aquele utilizado em diagnósticos realizados a partir da boca ou ânus, enquanto os rígidos são introduzidos através da pele para auxílio em cirurgias. A Endoview, que nos últimos três anos investiu cerca de R$ 3,9 milhões em P&D, produz ambos. O mercado cobra em média R$ 100 mil por um videoendoscópio flexível, enquanto o equipamento da empresa custa apenas R$ 75 mil e oferece qualidade similar aos sistemas produzidos pelos maiores fabricantes mundiais. Outro diferencial competitivo da Endoview, que já possui duas patentes registradas, é manter fortes parcerias com outras empresas e instituições de pesquisa, entre elas o Instituto de Tecnologia do Estado de Pernambuco – ITEP, o SEBRAE/PE, a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade de São Paulo e a empresa francesa Sopro.
 

Nuteral® – Indústria de Formulações Nutricionais Ltda. (CE) – A Nuteral foi fundada em 1992 e permaneceu por 18 meses incubada no Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua na área de P&D de produtos nutricionais e estudos de fisiologia e nutrição, com ênfase na resposta imunológica. Foi pioneira no Ceará na implantação do programa Produção Mais Limpa (P+L), criado pela ONU para incentivar a responsabilidade ambiental nas empresas. Em 2002, recebeu o prêmio Empresa do Ano da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec). Com cinco patentes no Brasil, 24,5% de seu faturamento vem de produtos lançados há menos de 3 anos, período em que desenvolveu e introduziu no mercado sete novos produtos. A Nuteral investe 3,8% de seu faturamento em P&D. Além disso, criou recentemente a Fundação Nuteral de Apoio à Pesquisa Científica, como forma de incentivar a P&D na área de nutrição humana e patrocinar o trabalho de pesquisadores de universidades e centros de pesquisas.  Com isso tudo, a empresa viu seu faturamento saltar de R$1,2 milhões em 2001 para R$3,6 milhões em 2003.

Tron (PE) - Especializada no desenvolvimento de equipamentos que controlam gastos de energia elétrica, a Tron Controles Elétricos investiu, nos últimos três anos, cerca de R$ 2,9 milhões em P&D. Alguns dos destaques da linha de produtos são o BlockLight, solução para corte e religamento de energia, que deve ser implantado ainda este ano nas Concessionárias de Energia do Piauí e de Alagoas, e os dosadores de energia para uso em lavanderias e cozinhas, cujas vendas representaram 15% do faturamento de R$ 11,9 milhões alcançado entre 2001 e 2003. Considerada empresa âncora do Parque Tecnológico de Pernambuco - PARQTEL, a Tron já possui 4 patentes de invenção requeridas e 4 pedidos de registro de marca publicados junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI.   

Grande Empresa
 
Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco – LAFEPE S/A (PE) – Fundado em 1967, o Lafepe desenvolveu e comercializou nove produtos nos últimos três anos e tem duas patentes registradas. O Lafepe teve mais de R$ 100 milhões de faturamento bruto em 2003, tendo dispendido 0,09% desse total em P&D. Com 695 empregados, há 16 deles alocados na área de P&D, que conta com uma coordenadoria específica, encarregada da execução da pesquisa científica dentro da indústria farmacêutica e do desenvolvimento de novos medicamentos de diferentes classes farmacológicas, incluindo ativos consagrados e aqueles ainda em estudos iniciais, como a maioria dos fitofármacos.

(2/9/2004)

links:

Número de inscritos no Nordeste foi mais que o dobro em relação a 2003.
 
     
 
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