O Diretor de Inovação da FINEP, Eduardo Costa, anunciou o lançamento da terceira chamada pública do programa Inovar Semente, que vai selecionar fundos de investimento em empresas nascentes. O que a FINEP faz é aplicar recursos em fundos administrados por gestores especializados em garimpar bons projetos nos mais diversos setores. Esses, por sua vez, repassam o dinheiro a empresas com alto potencial de crescimento.
Veja o edital. Ainda em 2007, a Financiadora vai investir em três novos fundos de seed capital, que juntos aplicarão R$60 milhões em cerca de 40 empresas. Do total de recursos, aproximadamente 40% virão da FINEP. Para 2008, o objetivo é apoiar mais quatro fundos, com patrimônios que somados devem alcançar R$ 80 milhões. Com isso, mais 60 empresas nascentes serão apoiadas. O investimento médio da FINEP dever ficar em torno de R$ 8 milhões por fundo.
O anúncio da nova chamada pública do Inovar Semente foi feito, em Florianópolis, durante o 1º Seed Forum FINEP. No encontro, 12 empresas inovadoras foram apresentadas a cerca de 40 investidores. É a oportunidade para o pequeno empresário expôr planos de negócios e conseguir captar recursos.
A meta do Fórum é apoiar os chamados start-ups, empreendimentos promissores que estão em fase inicial de implementação e organização de operações, muitas vezes ainda dentro de incubadoras e universidades. Nesse estágio, o capital semente (seed) é o recurso que vai ajudar na capacitação gerencial e financeira, ação fundamental para o crescimento e consolidação do negócio.
No 1º Seed Forum FINEP, um dos destaques foi a Wiaxis, empreendimento que desenvolve soluções capazes de viabilizar a realização de transações financeiras através de aparelhos móveis. Isso significa transformar celulares e smartphones em verdadeiros terminais de vendas e compras por cartões de crédito, débito e alimentação. O principal diferencial da empresa é, por meio de uma tecnologia própria, batizada de WI-ME, permitir que um determinado aplicativo seja compatível com os mais diversos modelos e marcas de celulares.
“Todo ano, são lançados no mercado cerca de mil novos modelos de celulares e, sem a nossa tecnologia, seria preciso criar versões de softwares que rodassem em cada um deles”, explica Paulo Schlup, Diretor de Tecnologia. Hoje, a empresa possui contrato com a GetNet, terceira maior rede de captura de transações financeiras do Brasil. Trata-se da representante da América Express e mais quinze operadoras de cartões.
Outra empresa que chamou a atenção foi a Mediasoft, do ramo de soluções em realidade virtual e interatividade em 3D. O destaque da linha de produtos é o Mediaplatform, ambiente virtual similar ao conhecido Second Life, porém voltado para educação à distância e realização de negócios. Fabiano Garcia, Diretor-Executivo, explica que o software permite a criação de serviços de atendimento ao cliente em que um funcionário, representado por um personagem virtual, pode apresentar um produto, explicar funcionalidades e tirar dúvidas dos compradores. Já no ambiente didático, um professor poderia levar o aluno às pirâmides do egito, acompanhá-lo em formações rochosas peculiares, entre diversas outras possibilidades.
Também se apresentaram no Fórum as empresas: AQX, Arvus, Brasilmatics, Cianet, Delsoft, Edusoft, Massa, Pixeon, Praesto e totall.com. Selecionadas entre cerca de 200 empreendimentos inscritos, todas são micro e pequenas empresas catarinenses que atuam em setores como tecnologia da informação, automação industrial e biotecnologia. As participantes passaram por um período de dois meses de treinamento promovido pela Financiadora, no qual foram discutidas as características de cada negócio, estratégias de crescimento, formas de apresentação a investidores, entre outros aspectos. "A FINEP nos ajudou a entender como o investidor pensa e como tornar nosso plano de negócios mais atrativo”, disse Fabiano, da Mediasoft.
Na lógica do investidor, como o risco de um empreendimento nascente não dar certo é significativo, a margem de lucros esperada é bem superior a encontrada normalmente no mercado. "Trabalhamos com a expectativa de, em cinco anos, receber um retorno entre cinco e dez vezes o valor investido", revela o palestrante Fábio Belloti. Em junho deste ano, Fábio fez parte do grupo fundador da São Paulo Angels, primeira associação do estado a reunir investidores pessoa física interessados em empresas nascentes, conhecidos como "anjos".
Além de aplicar recursos financeiros, esse profissional oferece experiência e competência às empresas nas quais investe. O bem sucedido empresário Erich Muschellack é um dos principais investidores anjo do Brasil. Ele já realizou aportes em quatro empresas nacionais, com aplicações de em média R$ 3 milhões. Na época das transações, os empreendimentos não apresentavam faturamento superior a R$ 500 mil. "No meu negócio, aplicar recursos nao basta, é preciso se tornar um verdadeiro parceiro do empreendedor", diz.
No ano que vem, a FINEP realizará outros quatro fóruns de capital semente, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e no interior de São Paulo. Para Carlos Eduardo, da administradora de recursos Confrapar, as empresas, apesar do pouco tempo de apresentação (cerca de 12 minutos), conseguem explicar seus projetos de forma bastante clara. “O capitalista identifica facilmente quais são as oportunidades que se encaixam no seu perfil de investimento, depois aprofunda as dicussões naquelas em que tiver interesse”, afirma.
(4/12/2007)